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Sandra Hüller e Paweł Pawlikowski se unem no aguardado A Terra do Meu Pai

Há atrizes que se reconhecem pelo rosto e outras pela capacidade de transformá-lo a cada personagem. Sandra Hüller pertence, sem dúvida, ao segundo grupo. Em um curto intervalo de tempo, ela viveu a esposa de um comandante de Auschwitz, uma mulher acusada de tirar a vida do próprio marido e uma executiva à beira de um colapso nervoso. Agora, ela retorna aos cinemas brasileiros em um papel de outra dimensão: Erika Mann, filha de um dos maiores escritores do século XX.

Em A Terra do Meu Pai, que estreia nos cinemas em 29 de outubro, Hüller divide a cena com Hanns Zischler (no papel de Thomas Mann) em uma jornada pelas ruínas de um país dividido. Para compreender a intensidade que ela empresta a esse novo trabalho, vale a pena mergulhar em sua trajetória.

A Terra do Meu Pai: o que esperar do filme

Dirigido por Paweł Pawlikowski, A Terra do Meu Pai acompanha a relação complexa entre Thomas Mann, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, e sua filha Erika, uma multifacetada atriz, escritora e piloto de rali. No verão de 1949, no auge da Guerra Fria, os dois embarcam em uma road trip a bordo de um Buick preto, partindo de Frankfurt, sob domínio estadunidense, até Weimar, sob controle soviético.

De volta ao lar depois de 16 anos de exílio nos Estados Unidos, o escritor precisa encarar os destroços de uma nação dividida e também as feridas da própria família. Filmado em preto e branco, o longa tem 82 minutos e foi premiado como Melhor Direção no Festival de Cannes 2026. Pawlikowski é o mesmo diretor de Ida (2013), vencedor do Oscar, e de Guerra Fria (2018).

Quem é Sandra Hüller

Antes de se tornar um nome frequente nos festivais, Sandra Hüller construiu sua base no teatro. Formada na Academia de Artes Dramáticas Ernst Busch, em Berlim, começou a carreira no Theaterhaus Jena e depois no Schauspiel Leipzig, passando por outros palcos de prestígio no mundo de língua alemã.

O trabalho teatral rendeu prêmios importantes, como o Gertrud Eysoldt Ring, pelo papel-título de Hamlet em montagem de Johan Simons, e o Prêmio de Teatro de Berlim, em 2020. Ela foi eleita quatro vezes “Atriz do Ano” pela crítica, em votação da revista Theater heute, e desde 2016 integra o coletivo independente de teatro FARN. A música é outra frente: em 2020, lançou o álbum de estreia, Be Your Own Prince, e em 2024 abriu a Ruhrtriennale com I Want Absolute Beauty, espetáculo que reinterpreta canções de P. J. Harvey.

Requiem: o primeiro grande papel no cinema

O cinema entrou de vez na vida de Sandra Hüller com Requiem (2006), de Hans-Christian Schmid. A atuação lhe rendeu o Prêmio do Cinema da Baviera, o Prêmio da Crítica de Cinema Alemã, o Prêmio do Cinema Alemão e o Urso de Prata no Festival Internacional de Cinema de Berlim. Vieram depois Brownian Movement (2010), de Nanouk Leopold, Über uns das All (Above Us Only Sky, 2011), de Jan Schomburg, e Finsterworld (2014), de Frauke Finsterwalder.

Toni Erdmann e o reconhecimento internacional

Para o grande público, o nome de Sandra Hüller ficou marcado com Toni Erdmann, de Maren Ade. Como Ines Conradi, ela recebeu o European Film Award, o prêmio da Associação de Críticos de Cinema de Toronto, o Prêmio do Cinema Alemão e o Prêmio do Cinema da Baviera. O filme representou a Alemanha na disputa pelo Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira em 2017.

Depois, a diretora francesa Justine Triet a escalou em Sibyl: Terapia sem Cura, e ela brilhou em I’m Your Man, de Maria Schrader, e em Sisi & I, novamente com Frauke Finsterwalder.

2023: Anatomia de uma Queda e Zona de Interesse

Em 2023, Hüller dominou as conversas em Cannes com dois filmes. Em Zona de Interesse, de Jonathan Glazer, interpretou Hedwig Höß, esposa do comandante do campo de concentração de Auschwitz. Em Anatomia de uma Queda, de Justine Triet, viveu uma mulher suspeita de assassinar o próprio marido.

Anatomia de uma Queda conquistou a Palma de Ouro, e Zona de Interesse recebeu o Grande Prêmio do Júri. A sequência de premiações incluiu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz por Anatomia de uma Queda.

Os trabalhos mais recentes

Em 2024, a atriz participou da comédia policial Two for One e filmou Devoradores de Estrelas, dirigido por Phil Lord e Christopher Miller, que chegou aos cinemas na primavera de 2026. Também estrelou Digger, comédia de Alejandro G. Iñárritu, e Ingeborg Bachmann: Jemand, der einmal ich war, de Regina Schilling. Em Rose, interpretou uma mulher que conquista certa liberdade ao viver sua vida como homem, papel que lhe deu o Urso de Prata no Festival Internacional de Cinema de Berlim de 2026, vinte anos depois de Requiem.

Por que ver A Terra do Meu Pai no cinema

O filme reúne uma atriz em seu melhor momento, um diretor premiado em Cannes e uma fotografia em preto e branco feita para a tela grande. É o tipo de experiência que ganha outra dimensão na sala escura, com a estrada, o silêncio e os olhares entre pai e filha ocupando todo o quadro.

A Terra do Meu Pai estreia em 29 de outubro. Compre seu ingresso e assista nos cinemas.

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