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Conheça o filme sobre Artacho Jurado

Edifício de Artacho Jurado com fachada clara, varandas e cobertura colorida em São Paulo

Quem caminha por São Paulo pode cruzar com a obra de Artacho Jurado antes mesmo de saber seu nome. Cores, curvas, texturas e áreas de convivência dão personalidade a edifícios que, décadas depois de construídos, continuam se destacando na cidade e despertando curiosidade sobre quem os imaginou.

É a partir dessa arquitetura tão particular que Artacho Jurado, Sinfonia de um Arquiteto percorre a trajetória de uma das figuras mais singulares da arquitetura paulistana. O documentário brasileiro aproxima a câmera de seus edifícios e de seus detalhes para revelar não apenas uma maneira própria de construir, mas também diferentes formas de pensar os espaços, a convivência e a própria cidade.

Ao revisitar a história de Artacho Jurado, o filme apresenta o percurso de um criador autodidata que desenvolveu uma linguagem reconhecível em um período no qual outros princípios orientavam boa parte da arquitetura moderna brasileira. Entre música, cores e formas, sua produção deixou uma marca que ainda pode ser observada em diferentes pontos de São Paulo.

Quem foi João Artacho Jurado?

João Artacho Jurado nasceu em São Paulo, em 3 de setembro de 1907, filho dos imigrantes espanhóis Ramón Artacho e Dolores Jurado. Sua formação seguiu um percurso pouco convencional desde cedo. O pai, de orientação anarquista, não aceitava que o filho participasse do juramento à bandeira exigido nas escolas daquele período, e Artacho acabou desenvolvendo seus conhecimentos fora de uma trajetória regular de ensino.

Ele não cursou arquitetura nem seguiu uma formação acadêmica em outra área antes de ingressar no setor. Seu aprendizado esteve ligado principalmente à experiência profissional e à observação, o que ajuda a compreender por que costuma ser definido como um arquiteto autodidata.

Antes dos grandes edifícios, porém, vieram outros tipos de criação. Na década de 1930, Artacho trabalhou com publicidade, desenvolvendo placas e letreiros em neon, e também com projetos de estandes para feiras. Essas estruturas já permitiam experimentar composição, decoração e referências do art déco.

A passagem para a construção civil ocorreu na década seguinte. Ao lado do irmão Aurélio Artacho Jurado, fundou a Construtora Anhanguera, inicialmente dedicada a casas e edifícios menores. Em 1946, o negócio deu origem à Construtora e Imobiliária Monções, empresa ligada aos empreendimentos que posteriormente tornariam seu nome conhecido.

Como um autodidata passou a projetar edifícios em São Paulo?

A ausência do diploma de arquitetura teve consequências práticas durante a carreira de Artacho. Ele concebia seus edifícios, mas as plantas precisavam receber a assinatura de profissionais legalmente habilitados.

Sua atuação também era acompanhada pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, o CREA. Até mesmo a maneira como seu nome aparecia nas placas das obras estava sujeita a regras, já que ele não poderia receber maior destaque do que o engenheiro responsável pelo projeto perante os órgãos profissionais.

Esse contexto ajuda a entender a posição incomum ocupada por João Artacho Jurado. Ele era empresário, construtor e responsável pela concepção estética de seus empreendimentos, mas atuava à margem da formação institucional que legitimava os arquitetos de seu tempo.

A resistência não impediu que sua produção crescesse. Principalmente entre as décadas de 1940 e 1950, seus projetos passaram a ocupar endereços importantes de São Paulo e a conquistar um público interessado em edifícios que ofereciam mais do que apartamentos.

O que diferencia as obras de Artacho Jurado?

A arquitetura de Artacho Jurado dificilmente passa despercebida. Em vez de se limitar a uma única escola estética, ele combinava referências variadas, aproximando elementos modernos, art déco, art nouveau e clássicos em uma mesma produção.

Essa liberdade aparecia nas cores, nos revestimentos, nas formas e na ornamentação. O resultado contrastava com a contenção defendida por parte dos arquitetos ligados ao modernismo e ajudava a explicar tanto o interesse do público quanto às críticas recebidas no meio profissional.

Há ainda outro aspecto importante. Os edifícios eram concebidos pensando não somente no espaço privado dos apartamentos, mas também na experiência coletiva dos moradores. Empreendimentos voltados sobretudo às classes média-alta e alta podiam contar com piscinas, terraços, bares na cobertura e ambientes destinados ao encontro e ao lazer.

Piscina cercada por jardins em área de convivência de edifício projetado por Artacho Jurado

Essa característica está no centro de Artacho Jurado, Sinfonia de um Arquiteto. O filme destaca justamente como sua arquitetura valorizava cores, formas, texturas e espaços compartilhados, incluindo soluções como piscinas nas coberturas e salas de música.

Música e arquitetura se encontram em Artacho Jurado, Sinfonia de um Arquiteto

O título do filme não escolhe a palavra “sinfonia” por acaso. A música fazia parte do universo criativo de Artacho, que costumava desenvolver seus projetos ao som de ópera.

Artacho Jurado, Sinfonia de um Arquiteto aproxima essas duas linguagens ao transformar formas arquitetônicas em elementos de uma composição visual. Edifícios, fachadas, interiores, detalhes e ambientes coletivos conduzem o olhar por uma São Paulo que ganha outra dimensão quando observada através da obra do construtor.

O documentário sobre arquitetura também se interessa pela maneira como essas construções estabelecem relações com a vida urbana. São projetos que misturam usos, oferecem apartamentos de diferentes dimensões e atribuem importância às fachadas e às áreas de convivência, características que o filme relaciona à busca por uma cidade mais humana.

Terraço com cobertura curva e pilares azuis em edifício projetado por Artacho Jurado

Assim, a arquitetura deixa de funcionar apenas como assunto e passa a ser também a linguagem do próprio filme.

Quais são as principais obras de Artacho Jurado?

Edifício de Artacho Jurado se destaca entre os prédios da paisagem urbana de São Paulo

As obras de Artacho Jurado estão presentes principalmente em São Paulo, embora sua atuação também tenha chegado a Santos. Algumas se tornaram especialmente representativas de sua linguagem arquitetônica.

Entre elas está o Edifício Piauí, em Higienópolis, concluído ainda no fim da década de 1940. Nos anos seguintes surgiram projetos como General Jardim, Cinderela, Planalto, Viadutos, Parque das Hortênsias, Saint-Honoré e Louvre.

Dois nomes acabaram se tornando particularmente associados à trajetória de Artacho. O Edifício Louvre, na Avenida São Luís, e o Bretagne, na Avenida Higienópolis, ambos concluídos no fim dos anos 1950, sintetizam diferentes características encontradas em sua produção.

O Viadutos também ocupa lugar importante nesse conjunto. Construído no Centro de São Paulo, chamou atenção inclusive pela presença de um painel luminoso na cobertura, elemento incorporado ao projeto do edifício.

Em Santos, estão entre seus trabalhos os edifícios Nosso Mar, Parque Verde Mar e Enseada.

Mais do que um catálogo de construções, esse conjunto permite acompanhar a evolução de uma linguagem arquitetônica que se tornou progressivamente mais ambiciosa durante as décadas de maior atividade de Artacho.

Por que Artacho Jurado enfrentou resistência?

A falta de formação acadêmica era apenas uma parte do conflito entre Artacho Jurado e setores da arquitetura de sua época.

Sua estética também contrariava princípios defendidos por muitos representantes do modernismo. Enquanto a busca por linhas limpas, racionalidade e redução dos elementos ornamentais ocupava posição de destaque, Artacho não demonstrava receio de combinar referências, utilizar cores ou acrescentar elementos decorativos.

Escada em espiral com guarda-corpo geométrico em edifício projetado por Artacho Jurado

Essa diferença contribuiu para que sua produção fosse, durante muito tempo, vista por parte da crítica como excessivamente decorativa e associada ao termo “kitsch”, usado de forma pejorativa para descrever obras consideradas exageradas ou de gosto duvidoso. O reconhecimento mais amplo viria posteriormente, sobretudo a partir da década de 1990, quando sua arquitetura passou a ser reavaliada sob outras perspectivas.

Artacho não acompanhou essa mudança. Ele morreu em São Paulo, em 18 de outubro de 1983.

Seu legado, no entanto, permaneceu concretamente espalhado pela cidade. A passagem do tempo permitiu que edifícios antes questionados fossem redescobertos não apenas pelo aspecto visual, mas também pelas ideias de convivência, lazer e relação com o espaço urbano presentes nos projetos.

Um documentário brasileiro que também observa São Paulo

Assistir a Artacho Jurado, Sinfonia de um Arquiteto é também uma maneira de perceber São Paulo por meio de seus edifícios.

A câmera percorre interiores, salões, corredores, coberturas e outros detalhes arquitetônicos, aproximando o espectador de espaços que normalmente são vistos apenas pelo lado de fora.

Corredor com elementos vazados e iluminação natural em edifício projetado por Artacho Jurado

Por isso, o longa pode interessar mesmo a quem não acompanha arquitetura de perto. Como documentário de São Paulo, ele mostra que os prédios também preservam ideias sobre determinada época, sobre formas de morar e sobre aquilo que uma cidade desejava ser.

Nesse sentido, Artacho oferece um personagem especialmente cinematográfico. Um homem sem formação acadêmica, apaixonado por música, que saiu da publicidade e das feiras para imaginar alguns dos edifícios mais facilmente reconhecíveis da capital paulista.

Por que assistir a Artacho Jurado, Sinfonia de um Arquiteto?

Entre os filmes sobre arquitetura, há aqueles dedicados principalmente às técnicas construtivas e aqueles que usam os espaços para contar histórias maiores. Artacho Jurado, Sinfonia de um Arquiteto aproxima-se do segundo caminho.

A trajetória individual conduz a questões sobre arquitetura, gosto, reconhecimento, vida coletiva e transformação urbana. Ao mesmo tempo, observar os prédios por dentro permite perceber detalhes que dificilmente aparecem quando eles são vistos rapidamente da rua.

O filme encontra aí uma de suas maiores curiosidades. Depois de conhecer Artacho e compreender as escolhas presentes em sua obra, olhar para determinados pontos de São Paulo pode se tornar uma experiência diferente.

A cidade permanece a mesma, mas passamos a reconhecer nela marcas que antes talvez fossem apenas mais uma fachada no caminho.

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Ao recuperar a trajetória de Artacho Jurado, o documentário mostra como arquitetura e cinema podem se encontrar para contar também a história de uma cidade. Uma história feita de concreto, cores, música e das ideias de alguém que encontrou na prática o caminho para construir uma linguagem própria.

Perguntas frequentes sobre Artacho Jurado e o documentário

Além da trajetória e das características da obra apresentadas ao longo do artigo, alguns detalhes ajudam a conhecer melhor o filme e a produção de Artacho Jurado.

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