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A direção é delas: diretoras de cinema que você deve conhecer

Agnès Varda no filme Varda por Agnès

Ousadas, criativas e pioneiras: se este grupo de diretoras de cinema ainda não entrou no seu radar cinéfilo, agora é a hora! Conhecidas por quebrar os estereótipos e criar filmes memoráveis, estas mulheres comprovam que a criação artística de qualidade não tem idade, sexo ou gênero.

Vamos juntos descobrir aquelas diretoras de cinema que você não deve deixar de conhecer? Continue com a gente!

O olhar feminino: uma perspectiva essencial na narrativa e na estética do cinema

Uma opressão secular, a vida doméstica como única rotina, a pressão para ter filhos, o cuidado para com o outro como principal função existencial: é inegável que todas essas “obrigações” culturais fizeram com as mulheres tenham um jeito só seu de vislumbrar o mundo e contar histórias. E no cinema isso não é diferente.

O olhar feminino é marcado pelas suas vivências, suas dificuldades e suas determinações culturais – que não são fruto da biologia, mas do modo como a história humana se estruturou, em diferentes lugares do mundo, durante séculos. E é assim que elas são capazes de trazer uma perspectiva diferente do senso comum masculino, tanto para as narrativas quanto para a estética do cinema.

Se por muito tempo coube às mulheres um papel coadjuvante também no audiovisual, isso vem mudando com o decorrer das décadas. De atrizes – muitas vezes apenas sexualizadas –, elas passaram a aparecer tanto na frente quanto atrás das câmeras: são montadoras, produtoras, diretoras de arte e de fotografia e, claro, cineastas!

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As precursoras silenciosas

Se o cinema nasceu e se desenvolveu através de narrativas masculinas, isso não significa que muitas mulheres não estiveram e não estão envolvidas em sua produção, evolução e divulgação. De atrizes e musas, o sexo feminino foi lutando para ocupar espaços dominados pelos homens e para que essa ocupação parasse de ser, sistematicamente, silenciada e apagada.

Entre as pioneiras a se aventurarem no cinema mudo, temos Alice Guy-Blaché. Considerada a primeira mulher a dirigir um filme, a cineasta francesa também foi a primeira a fazer uma película de ficção narrativa. Entre os anos de 1896 e 1906, Guy-Blaché se esforçou para retratar narrativas não convencionais para a época e ficou conhecida pelo clássico de curta-metragem chamado “A Fada do Repolho” (1896).

De secretária na companhia fotográfica Gaumont à diretora de muitos filmes, a francesa se viu atraída pelo cinema quando assistiu a uma das exibições históricas dos irmãos Lumière. Ali, se perguntou se os filmes precisavam ser sempre sobre fatos do cotidiano ou se poderiam servir à imaginação, criando narrativas ficcionais. Foi quando a ficção encontrou as telas.

Outro nome que se destaca pelo seu pioneirismo é Lois Weber. Conhecida como a primeira mulher americana a dirigir filmes, iniciou sua carreira em parceria com seu marido Phillips Smalley. Mais tarde, abriu sua própria produtora e embarcou nos trabalhos solo.

Temas mais espinhosos, como uso de drogas e aborto, foram abordados por Lois Weber a partir de um viés conservador. Apesar disso, vários filmes da cineasta americana possuem uma delicadeza particular para apresentar temáticas como solidariedade e consciência social. 

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Navegando na “Era de Ouro” e nas novas ondas

A partir da década de 1920, o cinema entrou naquele período que hoje conhecemos como “Era de Ouro”. Foi aqui que os estúdios de Hollywood passaram a funcionar a partir de um modelo de produção que influenciou a indústria cinematográfica de todo o mundo.

Com a ascensão desses grandes estúdios estadunidenses – que controlavam a produção e a distribuição das obras – e o desenvolvimento de técnicas cinematográficas, a produção de filmes cresceu sem igual com grandes orçamentos, estrelas icônicas e muito dinheiro envolvido. E o pontapé inicial dessa jornada foi a introdução do cinema falado pela gigante Warner.

É claro que essa “revolução cultural” americana fundada em grandes orçamentos e produções com cenários elaborados e novos gêneros populares seguia silenciando e apagando as figuras femininas de destaque. As exceções seguiram sendo as atrizes, tomadas como musas e ícones culturais, com seus corpos sexualizados e suas personalidades desenhadas pela mídia.

Nesse contexto, surgiu Dorothy Arzner, a única mulher a dirigir filmes de forma consistente dentro do sistema de estúdios de Hollywood nas décadas de 1930 e 1940. Começando como estenógrafa em 1919, Arzner tornou-se editora de filmes, roteirista e finalmente diretora com o longa “Fashions for Women” (1927).

Em seus filmes, Dorothy achou uma brecha para introduzir temas relacionados com o universo LGBTQIAPN+ (sobretudo lésbicos), muito pouco abordados naquele tempo. 

Com personagens femininas fortes e livres, a diretora americana acabou incomodando a grande ala conservadora de Hollywood. Resultado: implementação do Código Hays, uma série de regras morais que deviam ser seguidas pelas novas produções, que deveriam ser livres de cenas de sexo, uso de drogas e menções à homossexualidade.

Um nome incontestável que surgiu na década de 50 e marcou a temática e a estrutura do cinema moderno é o de Agnès Varda. Nascida na Bélgica em 1928 e radicada na França, Varda influenciou gerações com um trabalho experimental e pessoal focado no realismo documental e com uma mistura de feminismo e crítica social.

A diretora foi uma figura central da Nouvelle Vague francesa, já que seus filmes expunham um radicalismo narrativo e estético característico do movimento. Para tornar sua obra ainda mais relevante, as produções de Varda contavam com muitas locações externas e atores amadores, processo incomum para o cinema das décadas de 1950 e 1960.

Apesar do avanço tecnológico e social mesmo dentro do universo cinematográfico, as mulheres continuaram sendo constantemente apagadas ou silenciadas. Uma das provas disso é que até a década de 70 nenhuma mulher havia sido indicada ao Oscar de Direção. 

Isso mudou com a chegada de Lina Wertmuller, um dos principais nomes do cinema italiano. Com uma obra extensa e particular, marcada por questões de cunho político e social, Wertmuller começou como assistente de direção de Federico Fellini em seu icônico “ 8½”, lançado em 1963.

Em 1975, lançou “Pasqualino Sete Belezas”, estrelando Giancarlo Giannini, seu colaborador em várias obras. Foi com esse filme – que mistura humor e drama como só a diretora italiana soube fazer – que Wertmuller foi indicada ao Oscar de Direção, inaugurando o sexo feminino na disputa pelo prêmio.

Outro nome inesquecível no hall de diretoras de cinema também iniciou sua carreira como assistente de direção de cineastas aclamados, como Jacques Rivette, Jim Jarmusch e Wim Wenders. Claire Denis, nascida em Paris mas criada na África Subsariana ocupada, marcou a arte com seus filmes questionadores e sensíveis.

Com uma obra lúcida e irreverente, feita de personagens imperfeitos e questionáveis, Denis questiona os preceitos de progresso e sucesso – sobretudo aqueles alinhados às ideias europeias colonizadoras. Em títulos como “Bom Trabalho” (1998) e “Desejo e Obsessão” (2001), a diretora deixa uma marca incontestável para o cinema autoral.

Mas e o cinema nacional, por onde anda? Ativo, firme e forte! Bom exemplo disso é a obra de Lúcia Murat, cineasta brasileira que estreou em 1984 com o documentário “O Pequeno Exército Louco”, narrando o desenvolvimento social da guerra civil da Nicarágua. 

Murat, que viveu na pele a ditadura militar no Brasil e chegou a ser presa pelo regime, se especializou em escrever e dirigir filmes onde as temáticas política e feminista são apresentadas em um formato que mistura documentário e drama, tomando a memória viva como ponto de partida para a reflexão cinematográfica.

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A força da nova geração

Por mais que os boicotes e o silenciamento sigam acontecendo, é inegável: as mulheres estão cada vez mais presentes no mundo do cinema. Com as mídias digitais e a democratização do acesso ao conhecimento, está mais difícil para que o apagamento da presença feminina aconteça de maneira natural e sem alardes.

E é nesse contexto que a nova geração de diretoras de cinema vai ganhando força e espaço! Através de perspectivas variadas, narrativas atípicas aos olhos masculinos e um domínio técnico ressignificado pelos limites sociais e culturais, essas mulheres renovam e enriquecem a sétima arte, tornando o cenário audiovisual contemporâneo muito mais plural.

Talvez você tenha se encantado com a história quase comum de “Frances Ha” (2012) e até entrado na onda barbiecore que desfilou pelas redes sociais em 2023 com a versão cinematográfica live-action da boneca da Mattel. E o que esses dois filmes têm em comum? A sua diretora, Greta Gerwig!

Consagrada como um dos maiores nomes do cinema indie pop contemporâneo, Greta ficou conhecida por retratar personagens femininas complexas, apesar de comuns, e pela sua habilidade em abordar temas difíceis com humor e leveza. Foi assim que, de um público nichado, a diretora passou a conversar com jovens de diferentes espectros culturais.

Na mesma direção, temos roteirista e diretora norte-americana Nia DaCosta. Do drama-policial “Passando dos Limites” (2018) à sequência de terror psicológico “CandyMan” (2021), DaCosta caiu nas graças de Hollywood e do público e foi convidada a dirigir “The Marvels” (2023), tornando-se, assim, a primeira mulher a dirigir um filme da franquia.

Na plataforma da Reserva Imovision, você também encontra outras diretoras que adicionam ainda mais brilho à nova geração de cineastas. Nomes como Monia Chokri (A Natureza do Amor, 2023), Ramata-Toulaye Sy (Banel & Adama, 2023) e Léa Domenach (Bernadette, 2023) nos mostram a força e o olhar diferenciado de um cinema feito por mulheres.

Filmes dirigidos por mulheres que valem (muito!) a pena assistir

Quer assistir a mais filmes dirigidos por mulheres, mas não sabe muito bem por onde começar? Não tem problema! Abaixo, separamos uma lista com indicações preciosas de diferentes gêneros e perspectivas para você valorizar o melhor que o cinema tem a oferecer.

O Charlatão

A diretora polonesa Agnieszka Holland ficou conhecida pelos filmes “Filhos da Guerra” (1990) e “Na Escuridão” (2011), este último indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Mas é em “O Charlatão”, lançado em 2020, que a cineasta mostra sua habilidade na arte de contar histórias.

Narrando a vida do herbalista polonês Jan Mikolásek, Holland cria uma cinebiografia que explora os limites entre misticismo e ciência ao mesmo tempo em que chama a atenção para as práticas políticas e culturais da União Soviética das décadas de 40 e 50. Um filme que brinca (e muito bem) com as barreiras entre esconder e mostrar, limitar e revelar. 

Deixe A Luz do Sol Entrar

Lançado em 2017, “Deixe A Luz do Sol Entrar” é o décimo terceiro longa da roteirista e diretora Claire Denis. Aqui, temos um filme que se destaca na extensa obra de Denis: muito mais direto e clássico na sua abordagem e estética, busca evitar mediações e interpretações que requerem grandes reflexões do espectador.

Isabelle, interpretada por Juliette Binoche, é uma pintora bem sucedida que vive em Paris e leva uma vida sem grandes contratempos. O que acompanhamos no longa é este viver cotidiano, permeado por decepções amorosas e pequenas alegrias cotidianas. Uma comédia romântica filmada por Denis? Assista e tire suas conclusões!

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Babenco: Alguém Tem Que Ouvir o Coração e Dizer: Parou

Talvez você conheça Bárbara Paz por seus papéis na televisão ou no teatro, mas a gaúcha passou para o lado de trás das câmeras para dirigir e filmar o documentário “Babenco: Alguém Tem Que Ouvir o Coração e Dizer: Parou”, lançado em 2019 e escolhido para representar o Brasil no Oscar de Melhor Filme Internacional de 2020.

Bárbara Paz foi casada com o diretor de cinema Hector Babenco e acompanhou de perto a vida (e a luta contra a morte) do cineasta argentino naturalizado brasileiro. E foi assim que criou um apanhado carinhoso e íntimo de memórias e imagens que evocam o amor de Babenco pelo cinema e pelas suas contradições.

Transtorno Explosivo

Conhecida por curta-metragens como “Synkope” (2011) e “Without This World” (2011), a roteirista e diretora Nora Fingscheidt conseguiu um feito difícil quanto se trata de longa-metragens: abordar com sensibilidade e crueza os traumas infantis. 

Em “Transtorno Explosivo”, lançado em 2019, conhecemos Benni (Helena Zengal), uma menina de apenas nove anos que é acometida por violentas explosões de raiva e desafia o sistema do seu país, passando de mão em mão, de lar em lar. Um filme que exige a atenção do espectador para conseguir ver aquilo que não é explícito.

Cléo das 5 às 7

Um clássico do cinema de Agnès Varda, “Cléo das 5 às 7” nos apresenta um dia na vida da cantora francesa Cléo. Enquanto ela espera o resultado de um exame de saúde importante, perambula pelas ruas de Paris prestando atenção aos detalhes e aproveitando cada segundo daquela que (na sua cabeça) pode ser uma das últimas tardes de sua vida.

Uma curiosidade que talvez nem todos saibam é que o filme se passa em tempo real. Ou seja: cada 1 minuto na vida de Cléo dentro do filme corresponde a 1 minuto na vida real. Vale a pena (re)ver sabendo deste recurso.

Varda por Agnès

Em seu último filme lançado em 2019, a cineasta belga radicada na França faz um filme sobre si mesma. Aqui, revisitamos sua carreira, conhecemos mais de perto seu processo artístico e descobrimos como para a diretora o fazer cinematográfico depende não apenas de inspiração, mas também de muita técnica compartilhada.

Um documentário para ver, rever e se apaixonar ainda mais pela figura carismática e única de Agnès Varda.

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20.000 Espécies de Abelha

Um drama familiar capaz de nos ensinar um pouco sobre a necessidade de reconstruir, diariamente, as expectativas que criamos sobre aqueles que nos cercam. 

Em “20.000 Espécies de Abelha”, a roteirista, produtora e diretora espanhola Estibaliz Urresola cria uma atmosfera familiar de negação e arrependimentos para trazer à tona a busca por identidade, individualidade e liberdade. 

O filme conta a história de uma criança de oito anos que luta com o fato de que as pessoas continuam se dirigindo a ela de maneiras confusas em relação ao seu gênero. Durante um verão no País Basco, entre as colmeias e as abelhas, ela explora sua feminilidade ao lado das mulheres de sua família que, ao mesmo tempo refletem sobre suas próprias vidas e desejos.

A Natureza do Amor

Reconhecido com o César de Melhor Filme Estrangeiro, “A Natureza do Amor” busca tratar, quase de forma direta, sobre o tema já citado no título brasileiro do longa: o amor. Monia Chokri, atriz e cineasta quebequense, dirige o filme sabendo qual perguntar quer percorrer e em qual resposta pretende chegar.

Quando a professora de filosofia Sophia conhece o empreiteiro encarregado de reformar sua nova casa de campo, ela vai precisar escolher se quer se manter no seu relacionamento estável (mas previsível) ou se quer se entregar ao desconhecido.

Eu Não Sou Uma Bruxa

Longa de estreia da diretora zambiense galesa Rungano Nyoni, “Eu Não Sou Uma Bruxa” foi lançado em 2017 e mistura surrealismo e crítica social. O filme conta a história de Shula, uma menina de oito anos, moradora de uma área rural da África subsaariana que, após um incidente no seu vilarejo, é acusada de bruxaria e acaba em um campo isolado no meio do deserto.

Com uma estética poética e árida, Nyoni nos apresenta os conflitos entre tecnologia e tradição, o poder do Estado e as existências femininas, a comunidade e o indivíduo. Um filme poderoso para questionarmos os papéis que admitimos em nós e no outro em busca de alguma segurança.

A Fratura

Procurando um drama político contemporâneo para assistir direto do sofá? Dê uma chance para “A Fratura”, longa dirigido pela francesa Catherine Corsini e lançado em 2021. 

Tomando como pano de fundo as manifestações dos “coletes amarelos” que aconteceram na França em 2018, Corsini nos apresenta quatro personagens que interagem em um hospital público de Paris. Nesse ambiente, as fraturas sociais, políticas e culturais que tomam o país (e só se intensificam) se escancaram – e só não vê quem escolhe não olhar.

Garota Sombria Caminha Pela Noite

Inglesa de ascendência iraniana que viveu boa parte da vida nos Estados Unidos, Ana Lily Amirpour estreou como diretora em 2014 com o longa “Garota Sombria Caminha Pela Noite”, um nada tradicional romance de western moderno estrelado por… vampiros. 

Filmado em apenas 24 horas, o filme foi produzido em preto e branco e conta com imigrantes iranianos como atores. A premissa é simples: uma história de amor entre um humano e uma vampira. 

Ballroom Love

Exibido pela primeira vez na seção Semana da Crítica do Festival de Cannes em 2019, “Ballroom Love” é dirigido pela americana Danielle Lessovitz, que além de diretora é roteirista e produtora. 

Nesse longa, somos apresentados a Paul, jovem interiorano que acaba de chegar em Nova York e conhece Wye, uma dançarina de vogue transgênero. Ambos se apaixonam e precisam lidar com questões delicadas como pertencimento, identidade, aceitação e, claro, amor.

Meu Nome é Maria

Provavelmente você já deve ter assistido ou visto algumas cenas por aí do clássico “O Último Tango em Paris” (1972), dirigido por Bernardo Bertolucci, não é? Pois no longa “Meu Nome é Maria” acompanhamos a estrela que contracena com Marlon Brando no filme italiano.

Meu Nome é Maria”, lançado em 2024 e dirigido pela cineasta francesa Jessica Palud, nos conta um pouco da vida da atriz Maria Schneider, que com apenas 19 anos participou de cenas eróticas com Marlon Brando e, no meio do set, foi violentada pelo ator com anuência de Bertolucci “em nome da arte”.

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Meu Bolo Favorito

Engraçado, político e social, “Meu Bolo Favorito” foi lançado em 2024 e dirigido pela diretora iraniana Maryam Moqadam e seu companheiro, Behtash Sanaeeha

Quando Mahin, uma viúva de 70 anos, decide dar um fim à solidão, ela encontra o taxista Faramarz, com quem vai passar uma noite que nunca mais será esquecida. Delicado nas suas reflexões, mas extremamente afiado em suas críticas, o filme é a opção perfeita para apreciar um pouco da filmografia inesquecível do Irã.

Regra 34

Filme da diretora brasileira Júlia Murat, “Regra 34” é uma coprodução do Brasil com a França e foi lançado em 2023, levando o Leopardo de Ouro – prêmio máximo no Festival Internacional de Cinema de Locarno. 

Quais são os limites do mundo virtual? Como separar nossas vidas online da nossa vida cotidiana? Simone (Sol Miranda) frequentemente se vê confrontada por essas perguntas enquanto tenta manejar seu cargo de defensora pública que apoia mulheres vítimas de violência doméstica com seu passado como camgirl.

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Praça Paris

Dirigido por Lúcia Murat, mãe da também diretora Júlia Murat, este filme de 2018 é uma coprodução com Portugal e apresenta-se como um drama bem típico da diretora: são mulheres sendo personagens principais em um mundo dominado pela violência e dominação masculina

Trabalhando na UERJ, a terapeuta portuguesa Camila passa a atender Glória, ascensorista da universidade. Enquanto uma se sente insegura descobrindo mais sobre a vida difícil da paciente, a outra vê nas sessões de terapia um lampejo de esperança.

Banel & Adama

Longa de estreia da diretora senegalesa Ramata-Toulaye Sy, “Banel & Adama” estreou em Cannes em 2023 e foi escolhido como a estreia senegalesa para Melhor Longa-Metragem Internacional do 96º Oscar. 

Banel e Adama são jovens, enérgicos e apaixonados. O casal quer viver seu amor sem julgamentos, mas tanto suas famílias quanto a comunidade em que vivem – uma aldeia situada em uma região rural no norte de Senegal – não são favoráveis à união. Um drama que questiona o poder das tradições e da cultura patriarcal ao mesmo tempo em que expõe as dificuldades que esses questionamentos enfrentam.

Sidonie no Japão

Sidonie no Japão“, dirigido por Élise Girard, é um drama romântico que acompanha a jornada de Sidonie Perceval (Isabelle Huppert), uma escritora francesa de luto que viaja ao Japão para a reedição de seu primeiro livro. 

Lá, ela é recebida por seu editor local, Kenzo (Tsuyoshi Ihara), com quem gradualmente desenvolve uma conexão especial em meio às paisagens de Kyoto. 

O filme explora temas como o luto, a redescoberta do amor e o choque cultural, enquanto Sidonie é assombrada pelo fantasma de seu falecido marido (August Diehl), forçando-a a confrontar seu passado para poder seguir em frente. 

A direção sensível de Girard captura a beleza do Japão e o delicado estado emocional de sua protagonista em uma história sobre cura e a possibilidade de um novo começo.

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Uma indústria mais rica e relevante

Novas perspectivas, um olhar permeado por outras experiências e muita, muita vontade de fazer diferente: a importância da direção de mulheres na indústria cinematográfica vai além da inclusão, já que significa, também, a introdução de narrativas não-tradicionais e de estéticas inovadoras.

Apesar de ainda existirem muitos desafios nesse sentido, as iniciativas de apoio estão cada vez mais presentes – seja nas mídias sociais, nos festivais de cinema ao redor do mundo ou nos incentivos financeiros da grande indústria. 

E você, quer ter acesso a uma curadoria de filmes muito mais inclusiva e que celebra a inegável importância das mulheres também no universo do cinema? Então assine a plataforma da Reserva Imovision e deixe o seu repertório cinéfilo cada vez mais ampliado!

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