A arte sutil de Juliette Binoche: 5 dicas de filmes
Se existe um nome que é sinônimo de cinema e talento, é o de Juliette Binoche. A carreira de “La Binoche” é mais do que uma inspiração para quem vive e respira o cinema.
E os filmes dela, aplaudidos nos maiores festivais do mundo, não poderiam deixar de estar no nosso catálogo. Saiba mais sobre sua carreira e confira dicas de filmes imperdíveis com esta incrível atriz francesa!
Juliette Binoche nasceu em Paris, filha do cineasta, ator e escultor Jean-Marie Binoche, e de Monique Stalens, que era professora, roteirista, e atriz. Aos 15 anos ela iniciou seus estudos no Conservatório Nacional de Arte Dramática de Paris.
Aos 18, conseguiu um papel num pequeno filme independente. Enquanto ainda não tinha outras oportunidades no cinema, chegou a trabalhar como atendente em uma loja de departamentos e como modelo de pintura.
Tinha 24 anos quando foi convidada para trabalhar com o diretor Philip Kaufman em “A Insustentável Leveza do Ser”. Anteriormente já havia feito participações em filmes com outros diretores de renome internacional, como Leos Carax e Godard. Em 1993 veio o convite para ser a protagonista de “A Liberdade é Azul”, primeiro da trilogia das cores de Krzysztof Kieślowski.
Binoche faz parte de um clube exclusivíssimo de atrizes que conquistaram a “Tríplice Coroa” de Melhor Atriz nos três maiores festivais da Europa (Cannes, Veneza e Berlim). Some a isso um Oscar e um César, e você tem a prova de uma carreira guiada pela busca de parcerias incríveis com os diretores mais geniais do nosso tempo. Ela recebeu prêmios pelos filmes “Cópia Fiel”, “O Paciente Inglês” e “A Liberdade é Azul”.
Para celebrar essa artista monumental, mergulhamos em cinco de seus papéis mais marcantes. Em cada um deles, descobrimos uma atriz que usa a ficção para investigar o que há de mais verdadeiro em nós.
No primeiro filme da icônica Trilogia das Cores de Krzysztof Kieślowski, a “liberdade” é uma faca de dois gumes.
Após perder o marido e a filha em um acidente, Julie (Binoche) busca se libertar de tudo: da dor, das memórias, dos laços. A instrução que o diretor deu a ela foi lendária: “Sem lágrimas. Nunca”. O resultado é uma atuação de contenção absurda, que lhe rendeu o prêmio em Veneza. O rosto de Binoche, quase uma máscara, expressa uma dor tão profunda que palavra nenhuma conseguiria descrever.
Neste suspense psicológico do emblemático diretor Michael Haneke, uma família burguesa de Paris começa a receber fitas de vídeo anônimas que mostram sua casa sendo vigiada. Isso desenterra uma culpa antiga, ligada a um episódio sombrio da história francesa.
Com seus planos longos e parados, Haneke nos transforma em cúmplices dessa espionagem. Binoche é Anne, a esposa que vê seu mundo perfeito desmoronar. Haneke escreveu o roteiro pensando nela, sabendo que precisava de sua força para ancorar a tensão.
Enquanto o marido se afunda na negação, Anne é o nosso ponto de conexão com a história. É a frustração e a suspeita dela que dão forma ao suspense. Binoche descreveu o papel como “não muito glamoroso, mas honesto” e o filme como “desconfortável” de assistir. E é essa honestidade que torna esse filme tão valioso.
Neste drama erótico, dirigido pela polonesa Małgorzata Szumowska, Juliette interpreta Anne, jornalista de uma revista feminina de grande sucesso.
Ela escreve um artigo sobre jovens estudantes universitárias que se prostituem para pagar os estudos. Durante sua pesquisa conhece Alicja e Charlotte, estudantes de Paris que contam seus segredos e aventuras para a jornalista.
O filme é um prato cheio para quem gosta de obras provocativas que abordam a sexualidade de formas que fujam do óbvio.
A parceria com o mestre iraniano Abbas Kiarostami talvez seja a prova definitiva do status de Binoche como coautora. “Cópia Fiel” é um quebra-cabeça que pergunta: o que é original e o que é cópia, na arte e no amor?
A história por trás do filme é incrível: Kiarostami só decidiu escrever o roteiro depois de contar a ideia para Binoche e ficar fascinado com a reação no rosto dela. O filme nasceu daquele olhar.
Kiarostami, que amava trabalhar com não atores, viu em Binoche uma autenticidade rara. Ele pediu que ela não interpretasse, mas que fosse ela mesma. O resultado, que lhe deu o prêmio de Melhor Atriz em Cannes, é um espetáculo. Se a emoção é sentida de verdade, ela é autêntica. A performance dela não é uma cópia, é o original.
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Aqui, Binoche se junta a outra gigante do cinema francês, a diretora Claire Denis, para entregar o que a crítica chamou de “a grande performance Binoche da década”.
Inspirado livremente em Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes, o filme é uma espécie de comédia romântica sobre Isabelle, uma artista de meia-idade navegando pelos encontros e desencontros do amor moderno. Denis construiu o filme inteiramente em torno dela.
A atuação de Binoche mistura comédia e drama de um jeito único. Ela captura com perfeição a vulnerabilidade e a resiliência de quem não desiste de amar, mesmo quando tudo dá errado.
Olhar para a carreira de Juliette Binoche é entender que o cinema é uma arte coletiva. Ela não apenas interpreta, ela influencia, sugere, inspira e ajuda a dar alma aos filmes dos quais participa. Ela é a personificação do cinema com inteligência, profundidade e emoção que nós, da Imovision, tanto amamos.
E você? Qual seu filme favorito da Juliette Binoche? Não deixe de explorar o catálogo da Reserva Imovision para (re)descobrir essas e outras joias do cinema!

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