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O olhar provocador do diretor Michael Haneke

Cena do filme A Professora de Piano, do diretor Michael Haneke

Controverso, direto e sedutor: o cinema de Michael Haneke é feito de uma combinação de elementos que possuem o poder fascinante de prender a atenção do espectador ao mesmo tempo em que o repelem. Sem rodeios, seus filmes tocam o centro da questão com uma mistura rara de crueza e sensibilidade.

Vamos conhecer mais de perto a obra do cineasta austríaco ganhador de duas Palma de Ouro? Continue com a gente e entre no mundo poderoso – e polêmico – de Michael Haneke.

Atenção: característica fundamental para experienciar o cinema de Haneke

Michael Haneke nasceu em 1942 em Munique, na Alemanha, e cresceu em Wiener Neustadt, na Áustria. Na Universidade de Viena, estudou psicologia e filosofia, enquanto trabalhava escrevendo críticas de literatura e cinema. Seus primeiros trabalhos audiovisuais aconteceram no teatro e na televisão.

De 1967 a 1970, Haneke trabalhou como editor na emissora Südwestfunk. Com isso, passou a ter suas experiências iniciais como cineasta em projetos menores para a televisão. Foi apenas em 1989 que seu primeiro filme produzido para o cinema surgiu: o longa-metragem o “Sétimo Continente” estreava expondo, tragicamente, o desconforto de uma vida burguesa.

A partir dali, a obra de Haneke foi crescendo em tamanho e grandiosidade cinematográfica. Para muitos, é um diretor difícil de ser descrito, já que seu trabalho está longe de conter as características usuais dos sucessos que chegam até o grande público.

Em filmes sóbrios, com planos longos e trilha sonora austera, Michael Haneke conquistou um público exigente que encara o cinema para além do entretenimento. 

Temáticas sombrias – mas muito atuais – como xenofobia, intolerância e a solidão do mundo contemporâneo são abordadas com maestria através de cenas cotidianas e quase banais, exigindo do espectador uma atenção a cada recorte, a cada silêncio e a cada gesto.

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Foi com o filme “A Professora de Piano”, de 2001, que Haneke ganhou mais visibilidade no exterior, bem como o Grande Prêmio do Festival de Cannes. Em 2005, com o longa “Caché”, foi a vez de ser agraciado com o Prêmio de Melhor Diretor no mesmo festival de cinema.

Quatro anos depois, em 2009, chegou a vez de levar a Palma de Ouro pelo filme “A Fita Branca”. A história se repetiria em 2012, com “Amor”, que também recebeu o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro e foi indicado ao Oscar em cinco categorias – levando para casa a estatueta na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

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Características do cinema do diretor Michael Haneke

Entre os principais aspectos do Diretor Michael Haneke estão:

  • Crítica à mídia: construa sua obra com questionamentos sobre como a violência é tratada na mídia com sensacionalismo.
  • Narrativa desconfortável: o diretor Michael Haneke costuma usar tramas com finais abertos que conduzem o espectador a encontrar as próprias conclusões;
  • Estilo minimalista: prefere cenas sem trilha sonora, com narrativas mais cruas e câmeras estáticas; 
  • Violência implícita :costuma insinuar a violência em vez de adotar violências gráficas.

Quatro filmaços para adentrar no universo do diretor Michael Haneke

E aí, preparado para descobrir quais os filmes de Michael Haneke que você poderá assistir no conforto da sua casa através da plataforma da Reserva Imovision? Abaixo, preparamos uma lista com quatro obras-primas do cineasta para você começar com o pé direito! 

A Professora de Piano (2001)

Baseado no romance Die Klavierspielerin, da escritora austríaca Elfriede Jelinek, “A Professora de Piano” acompanha um episódio na vida de Erika, professora de piano no conservatório de Viena – uma mulher solitária e rígida que, como pode, procura formas de encontrar algum tipo de amor – inclusive com um dos seus alunos.

Considerado por alguns um drama psicossexual, o filme é estrelado pela incrível Isabelle Huppert, com quem Haneke divide a colaboração em mais três filmes. Em um longa que entrelaça com maestria os contrastes entre vida pública e vida privada e reflete (sempre de forma sutil) sobre a autonomia feminina, o diretor desenha mais uma obra-prima.

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Caché (2005)

Já pensou estar vivendo a sua vida cheia de rotinas e afazeres banais quando, de repente, uma fita revela que seus passos podem estar sendo observados de forma anônima de muito, muito perto? Esse é o fio condutor de “Caché”, estrelado por Daniel Auteuil e Juliette Binoche, e considerado o melhor filme da década de 2000 pelo jornal The Times.

Com uma fotografia extremamente lúcida e uma direção de câmera direta, mas sensível – característica comum aos filmes de Haneke –, vamos descobrindo aos poucos o que está por trás do mistério, da (a princípio) pacata família protagonista e dos pequenos delitos morais que nos assombram no dia a dia.

Violência Gratuita (2007)

Um dos grandes clássicos para os amantes da obra de Haneke, “Violência Gratuita” é um filme difícil de ser categorizado. 

A premissa é simples: quando uma família vai passar as férias na beira de um lago na Áustria, eles recebem a visita de dois jovens desconhecidos que fazem todos de refém. O longa poderia se assemelhar a qualquer thriller, mas rapidamente escala para um martírio de brincadeiras sádicas – não é por acaso que o título original do filme é “Funny Games”, em tradução direta: “jogos divertidos”.

Para alguns, apenas mais uma forma de explorar a temática do horror. Para outros, uma reflexão delicada sobre o uso da violência pelas produções midiáticas. De qualquer forma, uma porta de entrada fantástica para o universo cru de Michael Haneke.

Dez anos depois do seu lançamento, Haneke dirigiu um remake do seu próprio filme com locações e atores estadunidenses. A nova versão é protagonizada pela excelente Naomi Watts e ainda conta com um elenco de peso, com Tim Roth, Michael Pitt e Brady Corbet.

A Fita Branca (2010)

Vencedor da Palma de Ouro em Cannes e indicado aos Oscar de Melhor Filme e Melhor Filme Estrangeiro, a história se passa em um vilarejo protestante no norte da Alemanha, em 1913, às vésperas da Primeira Guerra Mundial.

Crianças e adolescentes de um coral são dirigidas pelo professor primário do vilarejo e suas famílias. Estranhos acidentes começam a acontecer e tomam aos poucos o caráter de um ritual punitivo. De acordo com Haneke, o filme é sobre “a origem de todo tipo de terrorismo, seja ele de natureza política ou religiosa“.

Amor (2012)

Um casal de idosos passa seus dias em uma rotina tranquila. Até que Anne (Emmanuelle Riva) sofre um derrame e Georges (Jean-Louis Trintignant) passa a ser seu principal cuidador. Um filme sobre a passagem do tempo, a solidão humana e também sobre o amor.

Vencedor da Palma de Ouro e do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, “Amor” é um prato cheio para quem procura por um filme do diretor que seja mais acessível. Mas prepare o lencinho de papel: você pode precisar!

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Com uma curadoria cuidadosa e uma seleção de filmes que preza pelo bom cinema dos filmes independentes e fora do mainstream, o streaming da Reserva Imovision é a opção ideal para quem quer rever grandes clássicas ou descobrir novos nomes do cinema.

Com a Coleção Grandes Diretores, um mundo de possibilidades se abre! Além de vários filmes de Michael Haneke, também dá para passar agradáveis horas na companhia de nomes como Christian Petzold, Claire Denis e Hector Babenco. Para ver, rever e indicar.

Provocando com estilo: Michael Haneke contra o imediatismo

Em um ensaio escrito pelo próprio diretor, Michael Haneke nos oferece a ideia de que o cinema pode servir ao propósito de catarse: através do confronto com complexidades morais e a realidade (mesmo que difícil), somos colocados em uma posição desconfortável que nos tira do lugar comum do cotidiano. E é nessa busca que seus filmes seguem – com sucesso.

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