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Jafar Panahi: cinema e resistência

Cartaz do filme Táxi Teerã

Fazer cinema no Irã já não é exatamente tarefa simples. Agora, fazer cinema no Irã enquanto se está proibido de fazer cinema pelo próprio governo… aí é coisa pra poucos. E Jafar Panahi é um desses poucos.

Cineasta, roteirista, ator, editor (e quase motorista de táxi), Panahi se tornou um dos nomes mais importantes da nova geração do cinema iraniano. Seus filmes são premiados, seus roteiros são intensos e sua vida pessoal é, basicamente, um roteiro de drama político.

Neste post, vamos contar um pouco sobre o diretor, suas obras mais marcantes — como “Táxi Teerã”, “3 Faces” e “Sem Ursos” — e, claro, celebrar a chegada de “O Balão Branco”, seu primeiro longa, à Reserva Imovision. Vamos lá?

Um cineasta em conflito com o poder

Nascido em 1960, em Mianeh, no Irã, Jafar Panahi começou sua carreira no audiovisual como assistente de direção de ninguém menos que Abbas Kiarostami, outro gigante do cinema iraniano. Aliás, foi justamente com um roteiro escrito por Kiarostami que Panahi estreou como diretor de longas-metragens: “O Balão Branco” (1995).

Desde então, seu cinema se tornou sinônimo de resistência — tanto estética quanto política. Panahi passou a abordar temas considerados “sensíveis” pelas autoridades iranianas: repressão, desigualdade, misoginia, liberdade de expressão e o direito de sonhar.

Por isso, em 2010, Panahi foi preso e condenado a seis anos de prisão e 20 anos de proibição de filmar, escrever roteiros, dar entrevistas ou sair do país.

Mas você acha que isso parou Jafar Panahi? Claro que não!

Dica: Coleção Jafar Panahi na Reserva Imovision

Filmes clandestinos, prêmios internacionais

Mesmo com todas essas restrições, Panahi continuou fazendo cinema. Sem equipe, sem orçamento, muitas vezes até sem câmera. E, mesmo assim, seus filmes continuam ganhando o mundo — e prêmios em alguns dos maiores festivais do planeta. Conheça suas principais produções:

Táxi Teerã (2015)

Em um dos exemplos mais geniais de adaptação à censura, Panahi dirige “Táxi Teerã” de dentro de um táxi. Literalmente. Ele dirige o carro pelas ruas da capital iraniana e conversa com passageiros que, aos poucos, revelam as nuances de uma sociedade cheia de contradições.

Crítico, sensível e engraçado (sim, tem humor ali), o filme mostra um Irã em que qualquer conversa pode virar denúncia política — ou poesia.

O longa venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim em 2015 e é um exemplo brilhante de como fazer arte com criatividade e coragem.

3 Faces (2018)

Neste filme, Panahi divide a tela com a atriz Behnaz Jafari, em uma jornada até uma aldeia remota para investigar o vídeo perturbador de uma jovem atriz que parece ter sido silenciada por sua família.

3 Faces” é um retrato delicado do embate entre tradição e liberdade individual, com uma pitada de metalinguagem cinematográfica que só Panahi consegue aplicar tão bem.

O filme foi premiado com o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes, mais uma vez levando a assinatura de Panahi aos palcos internacionais, mesmo que ele próprio não pudesse estar presente para receber o prêmio.

Sem Ursos (2022)

Seu filme mais recente, “Sem Ursos”, é talvez um dos mais simbólicos. Gravado enquanto Panahi estava mais uma vez sob ameaça de prisão, o longa conta duas histórias de amor em paralelo, ambas cercadas por obstáculos invisíveis: superstições locais, fronteiras físicas e políticas, e uma vigilância constante.

O título vem de uma fala do filme: “Não existem ursos aqui, mas dizem que há”. Uma metáfora perfeita para o clima de medo e controle instaurado pelas autoridades — e que Panahi transforma em cinema.

“Sem Ursos” venceu o Prêmio Especial do Júri no Festival de Veneza, consolidando ainda mais a força desse diretor que insiste em filmar, mesmo sem poder.

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O Balão Branco: estreia na Reserva Imovision

Agora que a gente já percorreu parte da filmografia de Panahi, é hora de voltar ao começo. Porque no dia 20 de junho, a Reserva Imovision traz para o catálogo o primeiro longa do diretor: “O Balão Branco”, de 1995.

Escrito por Abbas Kiarostami e dirigido por um jovem Panahi em ascensão, o filme acompanha a pequena Razieh, uma garotinha de 7 anos que quer comprar um peixinho dourado novo para o Ano Novo iraniano. Com a ajuda do irmão, ela convence a mãe a lhe dar o dinheiro. Mas a jornada até a loja se transforma em uma aventura pelas ruas de Teerã, quando Razieh perde o dinheiro não uma, mas duas vezes.

Sabe aquele tipo de filme que parece simples, mas toca fundo? Pois é. “O Balão Branco” é assim: um conto sobre infância, persistência e esperança em um Irã que raramente vemos retratado com tanta ternura e sensibilidade.

O longa venceu a Câmara de Ouro em Cannes (prêmio para diretores estreantes), e lançou Panahi como um dos nomes promissores do cinema mundial.

Trazer “O Balão Branco” para a Reserva Imovision não só resgata uma obra-prima delicada e atemporal, mas também homenageia o início da trajetória de um artista que nunca parou, mesmo quando tentaram silenciá-lo. É um convite para todos nós refletirmos sobre o poder transformador do cinema — e sobre como, às vezes, resistir também é continuar filmando.

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Resistência em forma de arte

Ver os filmes de Jafar Panahi é, de certa forma, um ato político. Mas também é uma experiência estética marcante. Seus filmes mostram um Irã que está longe dos estereótipos: humano, complexo, contraditório, mas cheio de beleza e potencial.

Mesmo diante de prisões, censuras e ameaças, Panahi continua filmando. Mesmo que sem equipe, sem estrutura, e às vezes até sem permissão. Porque, como ele já disse em entrevistas: “Filmar é minha forma de viver”.

Mais do que apenas contar histórias, Panahi transforma o cotidiano em crítica, e a crítica em poesia. Seu cinema tem uma habilidade rara de provocar sem ser panfletário, e emocionar sem cair no sentimentalismo. Ele nos convida a enxergar o mundo através de lentes que expõem o absurdo com sutileza e ironia — tudo isso mesmo sob risco pessoal.

Se você ainda não conhece o trabalho do diretor, ou quer revisitar suas obras, a dica é: aproveite a chegada de “O Balão Branco” à Reserva Imovision.

Uma ótima porta de entrada para o universo poético, provocador e cheio de humanidade de Jafar Panahi.

E, depois disso, prepare-se para mergulhar em “Táxi Teerã”, “3 Faces” e “Sem Ursos”. 

Acompanhe o catálogo e as estreias da Reserva Imovision!

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