Filme YES, de Nadav Lapid: 6 motivos para assistir a produção
O cinema tem a capacidade de nos colocar diante de dilemas que ultrapassam os personagens e ecoam em realidades mais amplas. Yes, de Nadav Lapid, exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2025 e também no Festival do Rio, é um desses casos em que a arte se transforma em provocação.
Com uma narrativa ousada e fortemente política, o filme propõe uma reflexão sobre os limites da moral, o custo do sucesso e as tensões que atravessam a vida em Israel.
Em YES, acompanhamos a trajetória de Y. (Ariel Bronz), um pianista em decadência que, ao lado de sua esposa Yasmin (Efrat Dor), tenta sobreviver oferecendo sua arte — e até seus corpos — a quem estiver disposto a pagar. A chegada de um filho intensifica a necessidade de dizer “sim” a qualquer oportunidade, mesmo que isso signifique apresentações vergonhosas para ricos excêntricos.
O dilema central surge quando Y. recebe a missão de compor o novo hino nacional de Israel. A letra, no entanto, é uma exaltação à destruição da Faixa de Gaza e do povo palestino. O que parecia ser a chance de redenção financeira se transforma em um dilema moral gigantesco: até onde se pode ir em nome do sucesso?

Assistir a Yes, de Nadav Lapid, é entrar em uma narrativa inquieta, que atravessa arte, política e conflitos morais sem buscar respostas fáceis. Mais do que conduzir uma trama, o filme confronta o espectador com contradições, escolhas difíceis e as ambiguidades do poder.
Para entender por que essa obra merece sua atenção, reunimos alguns dos principais motivos que fazem de YES uma experiência cinematográfica imperdível:
O filme transforma suas situações e personagens em instrumentos de ironia, expondo contradições profundas da vida cultural e política no país. Ao acompanhar a busca por reconhecimento e sucesso, a narrativa revela como ambições pessoais podem entrar em choque com princípios éticos, construindo uma crítica ácida às relações entre arte, poder e prestígio.
Y. e Yasmin não são heróis nem vilões. São artistas falidos, pais de primeira viagem, tentando sobreviver em um mundo que exige concessões constantes. É justamente essa humanidade que torna o dilema moral do filme ainda mais incisivo.
Ambientado em um contexto de fortes conflitos políticos, Yes se insere em debates sensíveis sobre identidade, patriotismo e responsabilidade individual. Ao abordar essas questões por meio da sátira, o filme também levanta uma pergunta central: qual é o lugar da arte quando a realidade ao redor se torna cada vez mais polarizada?
Além de sua exibição em Cannes, o filme também passou por importantes mostras internacionais, como o Munich Film Festival. A produção ainda recebeu indicações a prêmios como o Asia Pacific Screen Awards, venceu o Prêmio José Salcedo de Melhor Edição no Valladolid International Film Festival e foi listada entre os melhores do ano pela Cahiers du Cinéma.
Com fotografia de Shai Goldman, indicada ao Ophir Awards, o filme cria uma atmosfera que oscila entre o grotesco e o sublime. Cada cena é construída para provocar desconforto e reflexão, reforçando a ideia de que a arte não deve apenas agradar, mas também incomodar.
YES se constrói em torno de dilemas universais que atravessam diferentes contextos: até onde estamos dispostos a ir para alcançar sucesso? Qual é o preço da arte quando ela se aproxima do poder? Ao levantar essas perguntas, o filme amplia seu alcance e encontra ressonância em públicos diversos.
Lapid não é novato em provocar debates. Sua carreira já foi marcada por prêmios importantes: o Urso de Ouro em Berlim por Synonyms (2019), o Prêmio do Júri em Cannes por O Joelho de Ahed (2021) e o Prêmio Especial do Júri em Locarno por Policeman (2011).
Em YES, ele reafirma sua posição como um dos grandes nomes do cinema político atual, utilizando a arte como ferramenta para questionar a hipocrisia da sociedade israelense e os limites da consciência humana diante do poder e do dinheiro.
Com certeza, o filmeYES, de Nadav Lapid, é uma obra que transcende o entretenimento. Ele nos obriga a encarar contradições, refletir sobre moralidade e questionar o papel da arte em tempos de crise. É uma produção que se insere no melhor do cinema israelense, reafirmando sua força como espaço de debate e provocação.
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