Festival de Veneza: história, curiosidades e filmes
Quando o cinema desembarca no Lido, Veneza deixa de ser apenas uma das cidades mais fotografadas do mundo para se tornar também um lugar onde novas imagens começam suas trajetórias.
O Festival de Veneza acompanha o cinema há mais de nove décadas. Por suas salas passaram cineastas consagrados, novas vozes, filmes que dividiram opiniões e obras que saíram dali carregando um Leão de Ouro antes de encontrar espectadores em diferentes partes do mundo.
Criado em 1932, o Festival Internacional de Cinema de Veneza é considerado o festival cinematográfico mais antigo do mundo. Mas sua importância não está apenas na longevidade. Veneza tornou-se um espaço de descoberta e consagração, capaz de aproximar o cinema autoral, grandes produções internacionais, filmes restaurados e experiências que apontam para novas possibilidades da linguagem.
Em 2026, essa história chega à 83ª edição. E, enquanto novos títulos se preparam para ocupar o Lido, é possível revisitar na Reserva Imovision filmes que já atravessaram o festival e continuam encontrando novos públicos.
A História do Festival de Veneza começa em 1932, quando a primeira Esposizione Internazionale d’Arte Cinematografica foi realizada como parte da Bienal de Veneza.
As primeiras sessões aconteceram no terraço do Hotel Excelsior, no Lido. A edição inaugural ainda não possuía uma competição oficial, mas já reuniu filmes e artistas internacionais e ajudou a estabelecer uma ideia que hoje parece natural: o cinema também poderia ocupar o centro de um grande evento dedicado às artes.
O primeiro filme exibido na história do festival foi Dr. Jekyll and Mr. Hyde, de Rouben Mamoulian, em 6 de agosto de 1932.
Dois anos depois, em 1934, Veneza realizou sua primeira edição competitiva. Em 1935, o festival passou a acontecer anualmente, embora sua trajetória tenha sido interrompida em alguns períodos, principalmente durante a Segunda Guerra Mundial e, mais tarde, em meio às transformações institucionais da Bienal.
O prêmio máximo também passou por mudanças. O Leão de Ouro Festival de Veneza, como conhecemos hoje, foi introduzido em 1949 e acabou se tornando uma das estatuetas mais desejadas do circuito cinematográfico internacional.
Desde então, o festival acompanhou a transformação do próprio cinema. Novas cinematografias chegaram ao Lido, autores ganharam projeção internacional e filmes que pareciam arriscados demais para o circuito comercial encontraram ali um primeiro espaço de reconhecimento.
Para quem procura onde acontece o Festival de Veneza, a resposta está no Lido di Venezia, ilha localizada na lagoa veneziana.
É ali que fica o Palazzo del Cinema, um dos principais centros do evento, junto de outras salas e estruturas utilizadas durante a programação. Por alguns dias, o Lido se transforma em ponto de encontro de cineastas, atores, críticos, distribuidores, produtores, jornalistas e espectadores.
Essa geografia também faz parte do imaginário do festival. As chegadas de barco, o tapete vermelho e a arquitetura veneziana criaram uma identidade visual imediatamente reconhecível.
Mas existe uma Veneza que vai além das fotografias de estrelas chegando ao Lido. Dentro das salas, diferentes seções permitem acompanhar desde grandes estreias internacionais até novos realizadores, restaurações históricas e projetos que experimentam outras maneiras de contar histórias.
Os critérios da seleção do Festival de Veneza variam de acordo com a seção, mas a competição oficial trabalha com uma exigência especialmente importante: a estreia mundial.
Para a edição de 2026, os filmes submetidos à seleção oficial precisam ser produções recentes, concluídas depois de 6 de setembro de 2025. Em regra, não podem ter sido exibidos anteriormente ao público ou à imprensa, apresentados em outros festivais internacionais, distribuídos comercialmente ou disponibilizados na internet.
Isso explica parte do peso de uma estreia em Veneza. Muitos dos filmes chegam ao Lido antes de qualquer outro encontro público relevante, fazendo do festival o primeiro momento em que aquelas obras entram de fato na conversa cinematográfica internacional.
A seleção não funciona apenas pela inscrição e pelo cumprimento dessas condições. O diretor artístico do festival trabalha com uma equipe de especialistas, correspondentes e consultores internacionais responsáveis por acompanhar produções de diferentes regiões.
Veneza também possui mais de uma vitrine. Além da competição principal, há seções como Orizzonti, dedicada a tendências estéticas e expressivas do cinema contemporâneo, além de Venice Classics, Venice Spotlight e Venice Immersive.
Por isso, ser selecionado para Veneza não significa necessariamente concorrer ao Leão de Ouro. Cada seção possui seus próprios objetivos e, em alguns casos, suas próprias premiações.
O Leão de Ouro é o prêmio concedido ao melhor filme da competição principal do Festival de Veneza.
Na edição de 2026, um júri internacional formado por personalidades do cinema e da cultura é responsável por escolher o vencedor, além de distribuir outros reconhecimentos importantes, como o Leão de Prata, o Grande Prêmio do Júri, o prêmio de direção, roteiro e as Copas Volpi de atuação.
A estatueta dialoga diretamente com o símbolo de Veneza, o leão alado de São Marcos.
Existe também o Leão de Ouro honorário, concedido pelo conjunto da obra a personalidades cuja trajetória teve importância para a arte cinematográfica. Ele não deve ser confundido com o prêmio de Melhor Filme entregue ao final da competição.
Ao longo das décadas, receber um Leão de Ouro passou a significar entrar em uma linhagem importante da história dos festivais. Mas Veneza também mostrou que nem sempre é necessário ganhar o prêmio principal para deixar uma marca no evento.
O Festival de Veneza 2026 acontece de 2 a 12 de setembro, no Lido, chegando à sua 83ª edição.
A direção artística permanece com Alberto Barbera, e o júri da competição principal é presidido pela atriz, diretora e roteirista Maggie Gyllenhaal.
A programação oficial reúne novamente filmes de diferentes países e seções, mantendo uma característica que acompanha Veneza ao longo de sua história: colocar lado a lado cineastas já consagrados e obras que estão apenas começando sua trajetória internacional.
Como a edição de 2026 ainda acontecerá em setembro, os vencedores desta edição só serão conhecidos na cerimônia de encerramento, em 12 de setembro.
Enquanto novos filmes se preparam para chegar ao Lido, também vale olhar para aqueles que já passaram pelo festival e continuam circulando.
A coleção de selecionados no Festival de Veneza permite reencontrar diferentes momentos do evento pela Reserva Imovision.
Há filmes que saíram de Veneza premiados, outros que encontraram nas mostras do festival um importante ponto de partida e obras que mostram como a programação pode ir do drama familiar ao cinema político.
Entre eles, três títulos ajudam a começar esse percurso.

Em Sem Ursos, Jafar Panahi constrói duas histórias de amor que avançam em paralelo e encontram obstáculos provocados por tradições, estruturas de poder e fronteiras que não são apenas geográficas.
O próprio Panahi aparece diante da câmera como um cineasta instalado em um vilarejo iraniano próximo à fronteira com a Turquia. À distância, ele dirige um filme no qual um casal tenta encontrar uma maneira de escapar do Irã. Enquanto acompanha aquela história através de uma tela, o diretor acaba envolvido nas tensões da comunidade ao seu redor.
O filme cria um jogo fascinante entre realidade e ficção. Panahi filma personagens que desejam atravessar limites ao mesmo tempo que transforma sua própria condição como cineasta em parte da narrativa.
Sem Ursos integrou a competição principal do Festival de Veneza de 2022 e recebeu o Prêmio Especial do Júri.
É um daqueles filmes em que a simplicidade aparente começa lentamente a revelar outras camadas. Amor, medo, tradição e liberdade se misturam até que as fronteiras do título pareçam menos imaginárias do que os personagens gostariam.

Brincando com Fogo, dirigido pelas irmãs Delphine Coulin e Muriel Coulin, coloca uma crise política dentro de uma relação profundamente íntima.
Pierre cria sozinho os dois filhos. Louis, o mais jovem, está prestes a deixar a casa para estudar em Paris. Fus, o mais velho, segue pelo caminho oposto. Cada vez mais isolado, começa a se aproximar de grupos de extrema direita cujos valores entram em choque direto com aqueles defendidos pelo pai.
O que poderia ser tratado apenas como debate ideológico se transforma em conflito familiar. Pierre não está observando a radicalização de longe. Está tentando compreender como alguém que ama pode se aproximar de ideias que ele rejeita completamente.
As diretoras encontram força justamente nessa proximidade. O filme pergunta até onde o amor de um pai consegue acompanhar um filho e o que acontece quando proteger alguém também significa confrontá-lo.
Selecionado para a competição principal do Festival de Veneza de 2024, o longa rendeu a Vincent Lindon a Coppa Volpi de Melhor Ator.
Sua atuação encontra um personagem preso entre afeto, impotência e medo, fazendo de Brincando com Fogo um drama político que nunca deixa de ser, antes de tudo, uma história sobre uma família em transformação.

Em Síndrome da Apatia, de Alexandros Avranas, uma família refugiada tenta construir uma nova vida na Suécia.
Sergei e Natalia chegaram ao país com as filhas Katja e Alina e procuram se adaptar enquanto aguardam uma decisão sobre seu futuro. Quando o pedido de asilo é rejeitado, a insegurança deixa de ser apenas burocrática. Katja entra em um estado associado à chamada síndrome de resignação, condição observada entre crianças refugiadas submetidas a situações prolongadas de medo e incerteza.
A partir desse acontecimento, o filme transforma a espera em atmosfera. Formulários, avaliações e decisões institucionais passam a carregar um peso que se manifesta dentro da própria família.
Avranas evita transformar a experiência apenas em discussão abstrata sobre imigração. O que vemos são pais tentando construir para as filhas uma sensação de segurança enquanto sabem que o futuro permanece fora de seu controle.
Síndrome da Apatia integrou a mostra Orizzonti do Festival de Veneza de 2024 e recebeu o Interfilm Award, prêmio paralelo dedicado ao diálogo inter-religioso.
É uma obra que mostra outra face de Veneza. Nem todos os filmes chegam ao festival pelo espetáculo ou pelo tamanho da produção. Alguns chegam pela capacidade de observar de perto uma experiência humana e tornar impossível permanecer completamente indiferente a ela.
Um festival dura alguns dias. Os filmes, felizmente, não precisam terminar quando as luzes do Lido se apagam.
Na Reserva Imovision, é possível assistir a obras que passaram por diferentes edições do Festival de Veneza e descobrir o que acontece depois da estreia, quando um filme deixa a expectativa do festival para encontrar cada espectador individualmente.
Sem Ursos, Brincando com Fogo e Síndrome da Apatia oferecem três caminhos muito diferentes. Um observa liberdade e fronteiras pelo cinema de Jafar Panahi. Outro leva a radicalização política para dentro de uma família. O terceiro transforma o exílio e a burocracia em uma experiência íntima de espera.
Acesse a seleção de Filmes do Festival de Veneza na Reserva Imovision e continue conhecendo títulos que passaram por um dos encontros mais importantes da história do cinema.
O Festival Internacional de Cinema de Veneza reúne quase um século de história, diferentes seções e algumas das premiações mais reconhecidas do cinema mundial. As respostas abaixo ajudam a entender como o evento funciona e o que esperar da edição de 2026.
O Festival de Veneza é um festival internacional de cinema organizado pela Bienal de Veneza. Criado em 1932, é considerado o festival cinematográfico mais antigo do mundo.
Sua programação reúne estreias internacionais, filmes em competição, obras fora de competição, novos realizadores, restaurações e experiências audiovisuais. O objetivo oficial do evento é promover o cinema internacional como arte, entretenimento e indústria em um ambiente de liberdade e diálogo.
O Festival de Veneza acontece no Lido di Venezia, ilha localizada na lagoa de Veneza, na Itália.
O Palazzo del Cinema é um dos principais espaços do evento, acompanhado por outras salas utilizadas durante os dias de programação.
Os critérios variam conforme a seção. Para a seleção oficial de 2026, os filmes precisam ser produções recentes e, em regra, chegar ao festival como estreia mundial.
Isso significa que não podem ter sido exibidos anteriormente ao público ou à imprensa, apresentados em outros festivais internacionais, distribuídos comercialmente ou disponibilizados na internet. A seleção é conduzida pela direção do festival com apoio de especialistas e consultores internacionais.
O Leão de Ouro Festival de Veneza é concedido ao melhor filme da competição principal e representa a principal premiação do evento.
Um júri internacional escolhe o vencedor entre os longas selecionados para a competição. Veneza também entrega outros prêmios, incluindo o Leão de Prata, o Grande Prêmio do Júri, as Copas Volpi para atuação e reconhecimentos de direção e roteiro.
O Festival de Veneza 2026 acontece de 2 a 12 de setembro de 2026, no Lido di Venezia.
Esta é a 83ª edição do evento, dirigida por Alberto Barbera. Os vencedores serão anunciados na cerimônia de encerramento, em 12 de setembro.
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