30 dicas de série e filmes LGBT
No meio do mundo de infinitas possibilidades narrativas e estéticas, fica mais fácil encontrar um abrigo do mundo real, nem sempre amistoso e igualitário. E é aqui também, no cosmos da grande tela, que os filmes LGBT ganham o seu espaço e mostram a sua potência.
Ao longo do artigo, você vai encontrar títulos, como:
Se você tiver que parar para pensar neste exato momento sobre a última representação queer que você viu no cinema, vai ser fácil lembrar? Esse personagem vai ser uma caricatura, um escape cômico, ou uma persona real – com dores, anseios, alegrias e todos os espectros sociais e culturais de alguém inserido no mundo?
A boa notícia é que a comunidade LGBT e a sua representação no cinema tem se transformado, evoluído e ganhado cada vez mais espaço, representatividade e visibilidade nos últimos anos. O que décadas atrás era ignorado e silenciado, agora, finalmente, pode dar as caras e ocupar um lugar que sempre foi seu.
O surgimento do cinema aconteceu no final do século XIX. Se na França tínhamos os Irmãos Lumière, nos Estados Unidos tínhamos Thomas Edison. E é no filme de Edison, “The Gay Brothers” (1895), que temos a aparição de dois homens dançando ao som de um violino por exatos 18 segundos – no que deve ter sido a primeira aparição de personagens LGBTs no cinema.
Mais tarde, em 1916, o diretor sueco Mauritz Stiller lança o filme “Vingarne”, onde um escultor se apaixona por um jovem tratado como um filho. Seis anos depois, é lançada a comédia muda “The Spoilers”, de Ralph Ceder, em 1923, estrelado por Stan Laurel como um gay afeminado e caricato. A ideia era clara: qualquer presença queer servia como um humor excêntrico, pronto para fazer rir.
Na década seguinte, quando Hollywood começou a flertar com personagens queers menos estereotipados em suas telas, o Código Hayes surgiu para impor aos produtores restrições à nudez e ao sexo, bem como para colocar a homossexualidade no balaio dos pecados e do crime.
É assim que, durante décadas, a homossexualidade teve que encontrar outros meios de ser explorada no cinema. Surge, por exemplo, aquela amizade confusa e estranha entre pessoas do mesmo sexo – como temos retratado, por exemplo, em “Ardida como Pimenta”, de David Butler, em 1953.
A partir da década de 60, alguns diretores e emissoras passaram a introduzir personagens LGBT nos seus filmes, séries e programas. Isso não veio, claro, sem a perpetuação de estereótipos e do preconceito. Era raro alguma obra audiovisual onde o protagonista fosse homossexual, por exemplo. Mais difícil ainda, uma mulher homossexual.
Uma reviravolta se mostrou no horizonte com a estreia da sitcom “That Certain Summer”, de 1972, da ABC, onde Hal Holbrook e Martin Sheen interpretavam um casal gay tentando criar a sua família. Em 1977, outras duas sitcoms seguiram a mesma linha: “The Jeffersons” e “SOAP”.
Na década de 1980, quando a AIDS passou a ser tratada como uma emergência, mais uma vez sobrou para a comunidade queer. Associados erroneamente à doença, os homossexuais foram excluídos com ainda mais vigor das telas da televisão e do cinema.
Na década de 90, os gays, lésbicas e transexuais passaram a ganhar um pouco mais de espaço, mas muito da sua representatividade continuava atrelada a estereótipos debochados, exagerados, sofridos ou vitimizados – vide “A Gaiola das Loucas”, de Mike Nichols e “Mulher Solteira Procura”, de Barbet Schroeder.
Indo contra a maré, tivemos o clássico documentário “Paris Is Burning”, de Jennie Livingston, que mostra de maneira real e sem firulas a vida de drag queens pobres de Nova York. Na ficção, Tom Hanks levava o Oscar de melhor ator ao interpretar um jovem que luta contra a AIDS e seus efeitos em “Filadélfia”, de Jonathan Demme.
Com a chegada dos anos 2000, a visibilidade de gays, lésbicas e transexuais aumenta a partir das produções independentes do cinema queer. Se antes os LGBTs eram retratados ou com preconceito ou com algum tipo de pena, agora eles passam a assumir o posto de protagonistas reais, autônomos e desejantes.
A temática incorporada nos filmes com personagens LGBTs também muda: as abordagens sociais dão espaço para diversos gêneros da produção audiovisual, de modo a valorizar o tema e trazer mais diversidade de narrativas, incluindo discussões sobre sexualidade, identidade e gênero.
Entre os bons exemplos que o cinema nos proporcionou nas últimas duas décadas e que caíram nas graças do público e da crítica, podemos citar longas como “O Segredo de Brokeback Mountain”, de Ang Lee, “Milk: A Voz da Igualdade”, de Gus Van Sant, “Moonlight: Sob a Luz do Luar”, de Barry Jenkins, “Carol”, de Todd Haynes e “Call Me by Your Name”, de Luca Guadagnino.
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Conheça, abaixo, algumas das principais opções de filme gay LGBTQ+ para assistir!
Lutar para que a representatividade LGBTQIAPN+ exista (e aumente) no mundo audiovisual é essencial para a comunidade queer. É através da normalização da inserção de personagens e histórias gays, lésbicas, transsexuais e bissexuais na televisão e no cinema que essa comunidade consegue fortalecer e inspirar aqueles que se identificam com essas histórias e esses personagens.
Procurando bons filmes LGBTQIAPN+ para você assistir no conforto da sua casa – na televisão, no celular ou no computador? Então fique ligado nessa lista que preparamos especialmente para quem busca um entretenimento diversificado, inclusivo e fora do mainstream. Venha para a Reserva Imovision!
Dirigido por Hector Babenco e estrelado pela nossa queridíssima Sônia Braga, “O Beijo da Mulher Aranha” estreou no Festival de Cannes em 1985 e marcou o cinema américo-brasileiro. William Hurt, também ator do elenco, não apenas ganhou o prêmio de Melhor Interpretação Masculina em Cannes como venceu o Oscar e o BAFTA de Melhor Ator.
Não conhece o longa? A sinopse promete. Em uma prisão no Brasil durante a ditadura militar, dois homens dividem a mesma cela. Enquanto um é prisioneiro político, o outro é um homossexual preso por comportamento imoral. Os dois desenvolvem uma relação de amizade e companheirismo.
Comovente, impactante e sensível, “O Beijo da Mulher Aranha” é uma aposta certa para se emocionar, sendo um dos melhores filmes gay Brasil.
Lançado em 2024, “Sebastian”, drama dirigido pelo finlandês Mikko Mäkelä, conta a história de Max, um jovem escritor freelancer que vive uma vida dupla em Londres: à noite, ele torna-se Sebastian, um trabalhador sexual que utiliza suas experiências para inspirar seu romance de estreia.
Conforme Max vai se envolvendo com o trabalho da prostituição, ele também vai buscando desenvolver sua própria identidade e questionando o que é performance e o que é, de fato, desejo. Drama de formação contemporânea LGBT para ninguém colocar defeito!
Conhecido por seus filmes provocativos, o cineasta franco-argentino Gaspar Noé começou a chamar atenção com o curta-metragem “Carne”, em 1991. Depois do famoso “Irreversível” (2002), “Love” (2015) estreou no Festival de Cannes concorrendo ao Queer Palm.
Com muitas cenas de sexo explícito e uma história saudosista, o filme traz as memórias afetivas de Murphy (Karl Glusman) com relação à sua ex namorada Electra (Aomi Muyock), através de uma viagem no tempo onde a intimidade do casal é trazida à tona.
Com uma sequência badalada de um ménage à trois decisivo para o desenrolar da história, “Love” não é um filme para todos. Preparado?
Querendo uma comédia dramática erótica que desafia o convencional? Talvez “O Intruso“, do controverso cineasta canadense Bruce LaBruce (“Gerontophilia“, 2013), seja para você.
Lançado em 2024, o filme começa quando um refugiado misterioso aparece nu, em uma mala, às margens do rio Tâmisa, em Londres. Acolhido por uma tradicional família burguesa de classe alta, ele passa a viver na casa como funcionário, mas sua presença desencadeia uma série de encontros íntimos e transformadores com cada membro da família, abalando as convenções sociais e emocionais que sustentam suas vidas.
Paralelamente, descobre-se que ele é apenas um entre vários homens idênticos espalhados por Londres, todos mascarados sob diferentes identidades. O estranho não apenas provoca desejos ocultos, mas também serve como um catalisador para despertares espirituais, permitindo que a família redefina seus próprios caminhos de forma radical e inesperada. Uma obra ousada que promete discussões.
Prepare-se para uma experiência tocante e complexa com “Monster“, o aclamado filme de Hirokazu Koreeda (“Assunto de Família” e “Depois da Tempestade“), lançado em 2023. Premiado com o Queer Palm e Melhor Roteiro no Festival de Cannes, o longa tece uma narrativa intrigante sob múltiplos pontos de vista.
Quando o jovem Minato começa a agir de forma estranha, sua mãe, preocupada, exige respostas da escola. O que se desenrola é um mistério no qual verdades e percepções se chocam. Por meio de diferentes perspectivas — da mãe, do professor e do próprio Minato —, o filme revela as camadas de uma história delicada sobre bullying, amizade, identidade e a dificuldade de compreender o outro.
Uma obra sensível que nos convida a refletir sobre os julgamentos e as complexidades das relações humanas, destacando a importância da empatia.
Divertido e autêntico, “Nosso Verão Daria um Filme”, de Zacharias Mavroeidis, é uma comédia romântica reconstruída sobre o olhar queer. A premissa é simples: os melhores amigos, Nikitas (Andreas Labropoulos) e Demos (Yorgos Tsiantoulas), passam juntos dias ensolarados em uma praia de Atenas.
Elaborando um roteiro para o seu primeiro longa metragem, Nikitas tenta superar o término de um relacionamento ao mesmo tempo em que recorda com Demos as memórias que os dois, até aquele momento, criaram juntos. E é nesse exercício que os conflitos do passado voltam à tona, se misturando ao presente e transformando a relação íntima entre os dois.
Com cenas eróticas delicadas, muitas gírias do universo queer, cenários que funcionam como o sonho de qualquer adulto jovem de classe média descolado, “Nosso Verão Daria um Filme” tenta mostrar os labirintos internos de uma criação cinematográfica.
Um dos escolhidos para representar a França no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2015, “Saint Laurent” é um drama biográfico que conta a vida do icônico designer de moda francês durante os anos de 1967 a 1976. Nesses 10 anos retratados, Saint Laurent viveu o seu auge e é aqui também que os seus amores, o seu talento e os seus escândalos são expostos e, em certa medida, repensados.
Com um elenco de dar inveja a qualquer diretor, o filme conta com Gaspard Ulliel (“Eterno Amor” e “Hannibal – A Origem do Mal”) estrelando o estilista Yves Saint Laurent, Louis Garrel (“Os Sonhadores”), Jérèmie Renier (“A Criança”) e Léa Seydoux (“Bastardos Inglórios” e “Meia Noite em Paris”).
Apesar de ser uma biografia e fazer aquilo que as biografias fazem – ou seja, percorrer a vida do personagem retratando sua vida pessoal e profissional –, “Saint Laurent” foge do lugar-comum ao mostrar com delicadeza e sutileza a solidão experienciada pelo famoso estilista.
Se o personagem principal parece um bocado prepotente, o diretor Bertrand Bonello parece querer acentuar que essa prepotência exacerbada é fruto, antes, de uma insegurança que não aparece nas capas das revistas ou nas manchetes do jornal.
Um filme para conhecer mais sobre esse ídolo da moda, mas também para evidenciar a vida fragmentada pela fama.
Em 2013, estreava um dos filmes mais comentados da década passada: “Azul é a cor mais quente”, do diretor francês Abdellatif Kechiche, estrelado pelas jovens Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux.
Considerado um marco audiovisual para a comunidade LGBT, o filme retrata o descobrimento da sexualidade de uma jovem que se envolve com outra mulher e passa, assim, a conhecer mais sobre si mesma e seu lugar no mundo. Com uma cena de sexo de mais de 7 minutos entre as personagens principais, o longa foi alvo de controvérsias, de elogios e de críticas – nem sempre amistosas.
Na época, onde a visibilidade lésbica ainda estava começando a encontrar o seu espaço não só no cinema mas também na televisão, “Azul é a cor mais quente” inovou ao abordar de maneira honesta não apenas sobre o amor entre duas pessoas do mesmo sexo, mas também sobre temas como diferença de classe e sexualidade. Se você ainda não viu, chegou a hora de dar o play!
Conhecido por explorar a violência e o trágico em filmes como “Robocop”, “Showgirl” e “Elle”, o diretor Paul Verhoeven chocou mais uma vez com a estreia do drama biográfico “Benedetta”, uma freira lésbica que acredita ter visões religiosas da Virgem Maria.
Baseado livremente no livro “Atos Imodestos”, de Judith C. Brown, o filme acompanha a vida da freira italiana Benedetta Carlini (Virginie Efira), que desde a sua infância faz parte de um convento na Toscana. Ao ter visões religiosas e eróticas, ela acaba amparada por sua colega de quarto. As duas, claro, se apaixonam e passam a cultivar um conturbado romance.
Para alguns religiosos, Benedetta precisa ser canonizada por ter contato direto com a Virgem Maria. Para outros, precisa ser presa e condenada por desejar outra mulher. Um filme sobre dinâmicas de poder, onde o sexo lésbico busca construir uma dinâmica igualitária – ao menos dentro do possível.
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Procurando um drama profundo e envolvente? Então se prepare: você encontrou. “Mistérios da Carne”, do diretor americano Gregg Araki e lançado em 2005, apresenta a história de dois jovens de 18 anos, Brian (Brady Corbet) e Neil (Joseph Gordon-Levitt) que buscam as melhores maneiras de lidar com situações traumáticas do seu passado
Para Brian, que aos 8 anos acordou do lado de fora da sua casa com o nariz sangrando e sem memória alguma de como chegou lá, isso só pode ser explicado por uma abdução alienígena. Impactado a infância e a adolescência inteira por esse mistério pessoal, ele conhece Neil e a partir desse caminho que se cruza as coisas nunca mais serão as mesmas.
Esteja preparado para um drama forte, impactante e que tem como ponto condutor as diferentes formas possíveis de encararmos os demônios do passado. O quanto aquilo que acontece conosco na nossa infância e juventude pode afetar o resto de nossas vidas?
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Que tal uma fábula de terror fantástico brasileira? Lançado em 2018, “As Boas Maneiras”, de Marco Dutra e Juliana Rojas, é uma colaboração entre Brasil e França, e traz na sua história uma deliciosa mistura de temáticas: a solidão das metrópoles, um amor lésbico, diferenças sociais e raciais e, para fechar com chave de ouro, a reinterpretação de um mito folclórico.
Estrelado por Isabél Zuaa e Marjorie Estiano, “As Boas Maneiras” conta a história de Clara – moradora da periferia de São Paulo – que vai trabalhar na casa de Ana – que vive sozinha em um luxuoso apartamento de um bairro nobre da cidade. Ana está grávida e precisa de uma babá, então contrata Clara.
A partir daí, o inesperado se desenrola. Ao apresentar comportamentos estranhos (como crises de sonambulismo nas noites de lua cheia), Ana se aproxima ainda mais de Clara e um relacionamento amoroso se desenvolve. Até que nasce Joel, o filho de Ana.
Curioso para saber toda a trama do filme? É hora de entrar na Plataforma Imovision e dar o play!
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Misturando romance e drama no tom certo, “O Confeiteiro”, de Ofir Raul Graizer, merece os créditos que recebe. Thomas (Tim Kalkhof) é um jovem confeiteiro alemão que decide viajar para Jerusalém com uma missão: encontrar a esposa e o filho de seu falecido amante, Oren. Lá, Thomas começa a trabalhar justamente para a viúva de Oren, sem se revelar.
Um filme delicado sobre luto e as diferentes maneiras de lidar com uma perda e com os silêncios que, em um momento de dor, se instauram com força pelo caminho.
Um slasher dramático e erótico, “Faca no Coração”, de Yann Gonzalez, conta a história da diretora de filmes pornógraficos gays Anne (Vanessa Paradis), que além de lidar com o término do seu romance com a montadora Louis (Kate Moran) precisa encontrar algum meio de reavivar a baixa de criatividade na criação dos seus filmes.
Mas não é só isso: no meio desses acontecimentos, um serial killer mascarado passa a assassinar os principais atores de Anne e ela se vê completamente envolvida nas investigações.
Um filme complexo e criativo, que mistura doses de mistério, amor e sangue com a cultura queer de uma Paris da década de 70. Diversão na certa!
Mais um filme LGBT brasileiro para a lista! “Tatuagem” é um filme dramático de 2013 dirigido pelo diretor Hilton Lacerda (“A Febre do Rato” e “Fim de Festa”) e estrelado por Jesuíta Barbosa e Irandhir Santos.
É o Brasil de 1978, ainda dominado pela ditadura militar. Nesse contexto, uma trupe de artistas conhecida como Chão de Estrelas realiza seus espetáculos de resistência política com boas doses de subversão e deboche, provocando a moral e os bons costumes da época.
Um dia Clécio, o líder da trupe, conhece o soldado Arlindo Araújo, conhecido como Fininha. Nesse encontro entre o militar e o artista, a ditadura e o cabaré, a repressão e a liberdade, os mundos se chocam. Inteligente e sutil, “Tatuagem” é para ser visto sem preconceitos.
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“A Esposa de Tchaikovsky” conta a história de Antonina Miliukova, uma jovem aristocrata obcecada pelo brilhante Pyotr Tchaikovsky desde a primeira vez que o vê. Eles se casam, mas Antonina vive um amor não correspondido, permeado por questões que envolvem a sexualidade do compositor.
A produção poética, dirigida por Kirill Serebrennikov, traz interpretações comoventes e foi indicada a Palma de Ouro e ao prêmio Queer Palm no Festival de Cannes de 2022.
Lançado em 2013 e dirigido pelo cineasta canadense Xavier Dolan, “Tom na Fazenda” conta a história de um jovem chamado Tom, que precisa viajar até o campo para o funeral de seu namorado. O detalhe? A família do morto não sabe que ele era gay. Nessa encruzilhada, Tom decide fingir ser outra pessoa para preservar o segredo do amado. O que pode dar errado, não é mesmo?
Um terror psicológico bem escrito e ousado, que se pretende ser uma porta de entrada para discutir a universalidade do desejo e as diferenças culturais e dominantes dos territórios rurais.
Um filme envolvente, dançante e sedutor: “Ballroom Love” vem para questionar os preconceitos e falar de amor. Quando o jovem de 20 anos Paul sai do interior para morar em Nova York, ele não imagina que vai se apaixonar por dançarina de vogue. muito menos que essa dançarina é uma mulher transsexual.
Dirigido por Danielle Lesowits e lançado em fevereiro de 2024 no Brasil com exclusividade pela Imovision, “Ballroom Love” é uma ode à cidade de Nova York, ao romance e à quebra de expectativas.
Escrito e dirigido por Robin Campillo, “Garotos do Leste” estreou em 2013 e conta a história de Daniel Muller, um homem de meia idade que se apaixona por um suposto garoto de programa. Ao convidá-lo para ir a sua casa, Daniel descobre que o jovem faz parte de uma gangue de imigrantes do leste europeu.
Em uma mistura de intimidação e sedução, o filme se desenrola através de encontros entre Daniel e a gangue – que se tornam cada vez mais recorrentes e íntimos.
Mais um filme de Robin Campillo, dessa vez de 2017, “120 Batimentos por Minuto” estreou no Festival de Cannes e competiu pela Palma de Ouro. Em um roteiro que percorre o ativismo do combate a AIDS nos anos 90 pelo grupo político ACT UP, o filme explora a urgência de quebrar estereótipos e de lutar por uma vida saudável e sem estigmas.
Um clássico filme de drama social, “120 Batimentos por Minuto” inova por não cair no erro de tratar a luta dos soropositivos em uma bandeira de autoflagelo e autopiedade. Para ver, se emocionar e conhecer mais da história da luta contra a AIDS.
Xavier Dolan, já citado acima pelo filme “Tom na Fazenda”, também é o diretor de “Laurence Anyways“. Lançado em 2012, esse drama não tem medo de expor uma história ainda renegada por muitos: a transição de sexo. E a explora com louvor.
Ao fazer 30 anos, Laurence (Melvil Poupaud) revela para sua namorada Fred (Suzanne Clément) que deseja fazer uma cirurgia de mudança de sexo. Seu desejo é ser uma mulher. Apesar de abalada pela revelação, Fred encara a situação ao lado de Laurence e permanece junto dele no decorrer de todo o processo.
Um filme sobre o amor e a cumplicidade que um relacionamento pode – e deve – perseguir.
Baseado no livro homônimo de Philippe Besson, “Pare Com Suas Mentiras”, de Olivier Peyon, contra a trajetória de Stéphane Belcourt (Guillaume de Tonquédec), um escritor que retorna à cidade de sua infância para promover um evento. Com esse retorno, voltam também memórias do seu primeiro amor e sentimentos antigos que foram esquecidos em algum lugar fundo da alma.
Com uma premissa clássica, o filme percorre momentos de leveza ao mesmo tempo em que deixa claro que é, sim, um drama para se emocionar.
Super atual, “Regra 34”, de Júlia Murat, traz para a tela a história de Simone (Sol Miranda), uma aspirante a advogada que também trabalha como camgirl para financiar os seus estudos. Se de dia ela defende os direitos das mulheres, debate sobre temas feministas e auxilia mulheres vítimas de violência doméstica, à noite sua rotina se transforma – e ela precisa compreender como equilibrar esses dois mundos.
Com um elenco predominantemente negro e o envolvimento direto dos atores, “Regra 34” inova ao tratar de assuntos pesados e difíceis sem grandes firulas. Uma produção franco-brasileira, para quem quer repensar as noções de transgressão e livre-arbítrio!
Da diretora espanhola Estibaliz Urresola Solaguren (“Adri”), esse longa-metragem pungente é corajoso ao contar a história de uma menina transsexual de apenas 8 anos (Lucia) que busca maneiras de explorar sua feminilidade durante suas férias de verão ao lado de mulheres da própria família.
Sofia Otera, que interpreta Lucia, venceu o Urso de Prata de Melhor Atuação Principal no Festival de Berlim de 2023. Uma obra delicada que aborda de maneira realista os medos, as dificuldades e as descobertas daquelas crianças que não se identificam com o sexo com o qual nasceram.
O cinema nacional não fica de fora quando o assunto é representatividade LGBTQIAPN+! Nosso país também possui obras riquíssimas do gênero que, com certeza, podem emocionar, impactar e expandir seu olhar. Prepare-se para se orgulhar da nossa produção.
Prepare-se para uma experiência cinematográfica que foge do óbvio com “Boi Neon“, de Gabriel Mascaro. Lançado em 2015 e aclamado pela crítica, este filme brasileiro nos mergulha no universo da vaquejada no Nordeste, mas sob uma ótica completamente nova.
A história acompanha Iremar (Juliano Cazarré), um vaqueiro que não se encaixa nos estereótipos: ele sonha em ser designer de moda, criando figurinos para dançarinas e se dedicando à sua arte.
O filme é uma obra sensorial e poética que desafia as noções tradicionais de masculinidade, gênero e desejo, explorando a fluidez da identidade em um ambiente inesperado. Uma produção que celebra a liberdade de ser e a beleza da contradição.
Dirigido pela aclamada atriz e cineasta portuguesa Maria de Medeiros, “Aos Nossos Filhos” (2019) é um drama familiar que se aprofunda nas complexidades das relações e na busca por aceitação em uma família queer.
O filme acompanha o cotidiano de Vera (Laura Castro), uma jovem que cresceu em um lar com duas mães, mas que enfrenta seus próprios conflitos de identidade e de relacionamento.
A trama aborda as tensões geracionais, as diferentes visões sobre amor, liberdade e família, e as cicatrizes do passado que se refletem no presente.
Uma obra sensível e tocante que nos convida a refletir sobre o legado que deixamos para as próximas gerações e o que significa construir uma família nos dias de hoje.
Prepare-se para um drama sensível que explora a solidão e a busca por conexão em meio ao caos urbano com “A Voz do Silêncio“, de André Ristum. Lançado em 2018, este filme brasileiro tece uma narrativa intrigante que acompanha um mosaico de pessoas anônimas na cidade grande, cada uma vivendo suas vidas em tensão para a sobrevivência e resignadas com o destino.
Com uma estrutura fragmentada e um toque de realismo mágico, a obra nos convida a prestar atenção às vozes não ditas e aos silêncios que nos cercam, revelando a complexidade das relações humanas e a busca por sentido em um mundo barulhento. Um eclipse lunar pontua as mudanças nas vidas desses personagens, que, de alguma forma, estão conectados por suas vivências e anseios mais profundos.
Para os amantes do universo drag e das histórias de superação, “De Gravata e Unha Vermelha“, de Miriam Chnaiderman, é um documentário vibrante e inspirador. Lançado em 2014, o filme celebra a diversidade e a arte transformadora das drag queens brasileiras, mergulhando nos bastidores desse universo transgressor, onde a sexualidade é reinventada.
A obra, que conta com a mediação do estilista Dudu Bertholini, revela as histórias de vida, os desafios enfrentados e a paixão inabalável por trás de cada personagem que se apresenta nos palcos. Com depoimentos de personalidades como Laerte, Rogéria, Ney Matogrosso, Johnny Luxo e Candy Mel, o filme cria uma vertigem a partir do jeito que cada um encontra de se respeitar na construção do próprio corpo e na criação de formas disruptoras de vida. É um convite para conhecer a força, a criatividade e a resiliência da comunidade LGBTQIAPN+ no Brasil, mostrando como a arte pode ser um poderoso instrumento de autoexpressão e visibilidade.
Entre no clima de suspense e mistério do verão recifense com “Fim de Festa“, de Hilton Lacerda, o aclamado diretor de “Tatuagem“. Lançado em 2013, este drama policial brasileiro nos transporta para o Recife, onde o carnaval acabou, mas um novo mistério apenas começou: uma jovem francesa foi brutalmente assassinada.
O policial Breno volta antecipadamente de suas férias para investigar o crime, surpreendendo seu filho com três amigos hospedados em sua casa. Enquanto Breno busca por pistas, a cidade não só revela um estranho universo de lugares e memórias, mas também desenterra traumas do passado do próprio policial. Premiado como Melhor Filme no Festival do Rio e com Irandhir Santos indicado a Melhor Ator no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, “Fim de Festa” é uma obra autêntica que promete te prender do início ao fim, explorando as complexidades da memória e do crime em um cenário de calor e segredos.
Outros filmes com temática gay recomendados são:
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E aí, gostou da nossa lista com sugestões de filmes LGBTQIAPN+ para se emocionar, se divertir e refletir? Agora que você já tem várias indicações de longa-metragens para preencher as noites e os finais de semana, que tal se entreter com uma série animada e pra lá de diferente?
“Dragula” é um reality show apresentado pelas icônicas drag monsters The Boulet Brothers — famosas por dirigirem um evento mensal de drags monstruosas em Los Angeles. Nesta série, 10 drags competem por um prêmio de US$ 100.000 e pelo título de “Dragula, Drag Supermonster Mundial”.
Irreverente e engraçado, “Dragula” já está na quinta temporada, que acabou de estrear na Reserva Imovision. Em outubro, para ninguém perder nenhuma novidade, a plataforma contará com a estreia da sexta temporada, que terá lançamento semanal e simultâneo em parceria com a Shudder. E, se você não se cansa do universo drag, prepare-se também para o spin-off “Dragula: Titans“, expandindo ainda mais a sua dose de terror e glamour! Diversão para todos os públicos!
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A comunidade LGBTQIAPN+ vem ganhando mais representatividade e espaço na televisão e no cinema. E já não era sem tempo! Lutar pelo protagonismo e pela visibilidade daqueles que por muitos anos estiveram nas sombras exige comprometimento de todas as frentes culturais, inclusive das plataformas de streaming.
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